24 de Outubro de 2020
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Edição de Sábado: A revolta da vacina presente



Até uma bomba jogaram na casa do reverendo Cotton Mather, o sisudo senhor de 53 anos que em 1721 já era a mais respeitada autoridade religiosa da pequena Boston, uma colônia inglesa na distante América. É que o pastor calvinista, filho e neto de religiosos respeitados, era também um curioso. Se por um acaso, na juventude, Mather tinha de fato tido lá sua participação no julgamento das bruxas de Salem — e ele acreditava em bruxas —, por outro era um dedicado observador de fenômenos da natureza. Estudava atento, por exemplo, como traços de espécies eram transferidos de geração em geração, e fazia experimentos com plantas para ver como produzir híbridos reunindo características que não existiam naturalmente. Seu pai havia sido reitor de Harvard. Ele, Cotton, foi um dos fundadores de Yale. Hoje, grandes universidades. E, naquele ano de 1721, o pastor vinha defendendo aplicar uma técnica que chegara do Oriente para o combate da varíola. Se chamava inoculação. Em meio a uma epidemia da doença que mataria 850 numa população de pouco mais de 11 mil, o reverendo Mather vinha recomendo expor as pessoas ao líquido da ferida de quem tinha versões fracas do mal.




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