9 de Janeiro de 2021
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Edição de Sábado: Ascensão e derretimento do Partido Republicano de Trump



Aproximavam-se as 17h de uma quarta-feira, 7 de agosto em 1974, quando o chefe de gabinete do presidente Richard Nixon abriu a porta do Salão Oval para que entrasse, acompanhado de um deputado, o senador Barry Goldwater. Aos 65, o cabelo grisalho curto à moda militar, óculos espessos de casco de tartaruga escuro, Goldwater tinha o rosto quadrado, queixo proeminente, bem poderia fazer um caubói no cinema. Era, aliás, um homem do Oeste, do Arizona. Um homem rígido e com frequência mal-humorado mas que, por uma série de características pessoais, parecia o único republicano capaz de desempenhar aquela missão com a necessária sisudez. Barry, como o chamavam seus pares, acertaria o tom. Diferentemente da maior parte dos políticos, o seu instinto era de falar sempre, e com clareza, exatamente aquilo que pensava. Não suavizava o discurso de acordo com o interlocutor. Era senador e, além disto, havia sido o último candidato à presidência do partido antes de Nixon. Ou seja: tinha a necessária estatura para um momento assim tão grave. O deputado e o chefe de gabinete sentaram-se nas laterais. Goldwater numa cadeira imediatamente à frente do presidente, que estava atrás da Resolute Desk — até hoje a mesa dos chefes do Executivo americano. O senhor tem o apoio de no máximo 18 senadores, disse o velho senador. Ou seja, o processo de impeachment terminaria com ele fora da Casa Branca. Nixon optou pela renúncia.




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