13 de Março de 2021
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Edição de Sábado: Mãos Limpas, Lava Jato, na Itália foi como no Brasil



Luca Magni, um empresário de 32 anos, elegante num terno e gravata, estava nervoso quando entrou no escritório do diretor do asilo Pio Alberto Trivulzio, uma residência pública para idosos existente fazia quase três séculos, em Milão. O diretor, Mario Chiesa, era o único na sala e o convidou a sentar. “Aqui está o dinheiro, engenheiro”, disse para Chiesa enquanto lhe entregava um maço de liras. Não havia euros, ainda. Era domingo, 17 de fevereiro de 1992. “Só sete milhões?”, questionou o diretor. “Não consegui reunir tudo, ainda mais em espécie”, lhe respondeu o empresário. Magni era dono do pequeno negócio garantia a limpeza do asilo. Aquele dinheiro, suborno, servia pra manter o contrato. Chiesa estava impaciente. “Mas o acordo era” — não terminou a frase. Magni o interrompeu. “Eu sei, engenheiro, eu sei. Vou trazer o que falta logo, os outros sete.” Ele já tinha entradas precoces que faziam de sua testa mais alta do que o normal para um homem jovem. Chiesa, próximo dos 50, ainda mantinha uma vasta cabeleira grisalha, um burocrata de carreira do Partido Socialista Italiano. E não tinha ideia de que o empresário à sua frente filmava tudo com uma microcâmera na valise, gravava tudo com um microfone na lapela. Foi aí que a porta do escritório abriu e, por ela, entraram o procurador Antonio Di Pietro mais quatro policiais. Uma prisão num flagrante espetacular. “Este dinheiro é meu”, afirmou o burocrata. “Não”, lhe respondeu Di Pietro. “Este dinheiro é nosso.” Estava começando, na Itália, a Operação Mani Pulite — Mãos Limpas —, que anos depois inspiraria no Brasil a Lava Jato.




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