10 de Abril de 2021
Consultar edições passadas

Edição de Sábado: Biden, o radical



Quando Ronald Reagan chegou ao Capitólio numa manhã atipicamente quente para um 20 de janeiro, em 1981, ele se vestia ainda como um homem de outro tempo. Terno completo — a calça e paletó pretos, o colete e a gravata num tom claro de cinza. Abotoaduras. Douradas. Ele próprio modernizaria a vestimenta na segunda posse, apenas quatro anos depois, dispensando o colete, usando gravata marrom listrada. Mas isso foi só depois. Naquele dia, após jurar a Constituição, beijar na bochecha a mulher Nancy, ao som da marcha Here Comes the Chief Reagan cumprimentou seu antecessor Jimmy Carter e se pôs perante o microfone com um sorriso ligeiro. Deu ao discurso um tom formal e ao mesmo tempo fluido. Ele sabia ser eloquente, mas naquela manhã preferiu um cuidadoso equilíbrio entre o formal e a conversa amiga, sempre sério, nunca coloquial demais, mas direto ao ponto. O velho ator, com pleno domínio da arte de estar no palco, queria passar franqueza. Conseguiu. “Indústrias sem produzir deixaram trabalhadores desempregados”, ele explicou. “Aqueles que conseguem trabalhar lhes tem negado o retorno de seu suor por um sistema de impostos que penaliza o sucesso e diminui a produção.” O novo presidente seguiu então com o diagnóstico que fazia do país para arrematar com duas frases que se tornariam célebres e sacramentariam uma maneira de compreender o mundo que perduraria pelas quatro décadas seguintes. “Na crise atual, o governo não é a solução para nosso problema”, ele disse. “O governo é o problema.”




Esta edição só está disponível para os Assinantes Premium do Meio.

Já é assinante? Faça login.

Conheça: Chega mais rápido, edição extra de sábado, editoria de economia na edição diária e acesso ao Monitor, o software que usamos para ver as notícias de todos os sites em tempo real.


Mensal: R$ 9,90


Anual: R$ 99,00