17 de Abril de 2021
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Edição de Sábado: CPIs moldaram a Nova República



Quando o motorista Eriberto França se sentou à frente de deputados e senadores em 1º de julho, 1992, a Constituição brasileira ainda não tinha quatro anos de idade. Um homem magro e alto de sobrancelhas espessas, Eriberto depôs na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito gesticulando muito com as mãos. “Teve um pessoal do Planalto que procurou por mim na casa da minha sogra”, ele contou. paletó se estendia para além dos ombros, num desalinho da peça que talvez não tivesse sido costurada para ele. Estava nervoso, o motorista — não à toa. As histórias que contava tratavam de levar e trazer dinheiro em espécie e sem origem clara para pagar as contas da casa do presidente da República. À noite, os telejornais mostraram a sala da CPI lotada, com parlamentares, assessores, gente de toda sorte em pé e sentada. Atrás da mesa, no meio metro até a parede, um amontoado de pessoas se espremia talvez querendo de alguma forma aparecer nas telas ou nas fotos. No chão, sobre o carpete, cabos espessos alimentavam câmeras. Não houve momento em que os flashes de luz não piscassem. Fernando Collor de Melo não sobreviveria àquela CPI — e assim CPIs começaram a lentamente entrar no imaginário da Nova República.




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