4 de Dezembro de 2021
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Edição de Sábado: No tempo da inflação



Boa parte do Brasil conheceu a ministra da Economia Zélia Cardoso de Melo quando ela apareceu ao vivo, em vários canais de TV, para uma entrevista coletiva na tarde de 16 de março, em 1990. (YouTube.) A posse do presidente Fernando Collor, o primeiro eleito pelo voto popular desde Jânio Quadros, trinta anos antes, havia sido na véspera. E a expectativa para aquela entrevista era imensa. Em 1989, último ano do governo de José Sarney, a inflação oficial calculada pelo IBGE havia chegado quase em 2000%. Dois mil por cento ao ano. O que o salário comprava no supermercado no primeiro dia do mês não rendia nem de perto o mesmo apenas duas semanas depois. A inflação daquele mês de março bateria em mais de 80% — os preços quase dobraram ao longo de um mês. Não havia outro tema que angustiasse mais a população brasileira e a esperança era de aquele governo conseguisse, enfim, controlar o monstro. Nos últimos três dias de seu governo, Sarney decretou de surpresa feriado bancário a pedido da nova equipe econômica. Não havia internet ou mesmo máquina de saque. Naqueles dias, ninguém poderia movimentar seu dinheiro. Algo ia acontecer.




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