12 de Fevereiro de 2022
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Edição de Sábado: O Modernismo de 2022



Por volta das 19h da segunda-feira, 13 de fevereiro de 1922, os automóveis pretos começaram a chegar ao Theatro Municipal, um prédio em estilo eclético que, fundado dez anos antes, pretendia oferecer à capital paulista um ponto de cultura nobre, digno de qualquer cidade cosmopolita. Os ingressos estavam esgotados para aquela primeira de três noites da Semana de Arte Moderna. Os homens, quase todos muito elegantes, vestiam ternos jaquetão, chapéus de feltro. Os chapéus das mulheres eram quase todos do modelo clochê, que, arredondados em cima, se encaixavam justos nas cabeças, suas abas quase inexistentes apenas sugeridas por uma curva ligeira. Os vestidos eram decotados o suficiente para mostrar o colo, cinturados, mas soltos abaixo, sempre descendo até um palmo antes dos pés. Desfilavam por aquela festa porque era uma noite de ver e de ser visto, um evento marcante sobre o qual a imprensa falava fazia já semanas, num longo debate sobre aquela gente jovem que queria apresentar um novo tipo de arte. Uns, como Menotti del Picchia, a chamavam Futurismo, em homenagem ao movimento italiano que inspirava Mussolini. Mário de Andrade, que como Del Picchia tinha também 29 anos, preferia chamar Modernismo, por ver diferenças nos propósitos. Aquele dia 13 era dedicado a uma exposição de artes plásticas, com quadros de Anita Malfatti e Emiliano Di Cavalcanti, as esculturas de Victor Brecheret, a arquitetura de Antônio Moya. Tarsila do Amaral não apareceu — estava em Paris. A quarta-feira seria dos escritores, fariam discursos e declarariam poemas, e nela o trio promotor do evento — Mário e Oswald de Andrade, além de Del Picchia — planejava brilhar. A sexta seria para música, principalmente de Heitor Villa-Lobos. Eram, aqueles escritores, bons de marketing, de levantar polêmicas, chamar atenção.




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