9 de Abril de 2022
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Edição de Sábado: Como o aborto virou arma política



Em junho de 1967, Ronald Reagan ocupava fazia seis meses o governo da Califórnia, seu primeiro cargo eletivo. O mês começara difícil, com um assassinato político que abalou os Estados Unidos em Los Angeles, a mais populosa cidade do estado. O senador nova-iorquino Bobby Kennedy, que havia participado de um debate sobre a Guerra do Vietnã com o governador apenas alguns dias antes, foi morto por um ativista palestino quando estava próximo de ser escolhido candidato democrata à presidência. Reagan tinha 56 anos, usava um topete e muita goma, seu rosto ainda não era marcado pelas rugas que carregaria por quase toda a presidência. Ele já era, porém, a voz de um novo conservadorismo americano, que traria valores religiosos de volta para a arena política após muitas décadas em que o laicismo havia imperado em Washington. E foi naquele mês, no dia 14, que Reagan sancionou o Ato do Aborto Terapêutico, tornando seu estado o terceiro no país a legalizar a prática. Em 1967, 518 abortos foram realizados legalmente na Califórnia. A partir de 68, a média anual saltou para a casa dos 100 mil. Reagan havia manifestado alguma hesitação a respeito da lei, mas sancionou ainda assim. A questão do aborto simplesmente não era uma que mobilizasse a direita americana.




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