25 de Junho de 2022
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Edição de Sábado: A máquina que sente



Na cena que marca o clímax de Blade Runner, o filme icônico de Ridley Scott lançado em 1982, o policial caçador de androides fugidos Rick Deckard está pendurado por um pilar no alto de um arranha-céu quando é salvo por um dos robôs que perseguia. “É uma sensação forte viver em medo, não é?”, pergunta Roy Batty, o personagem de Rutger Hauer. Para o espectador, é a descoberta de que, sim, androides sentem. Batty tem programado em si o momento da morte. Um momento que se aproxima acelerado. “Vi coisas que vocês não acreditariam”, ele conta. Os androides, afinal, foram criados para trabalhar em mundos distantes que humanos não tolerariam. “Naves de ataque em chamas em Órion, vigas reluzentes no Portão de Tannhäuser.” O texto foi escrito pelo próprio Hauer, que o interpretou com emoção ímpar, discreta, citando lugares fictícios que soavam propositalmente alienígenas. Distantes. “Todos estes momentos se perderão como lágrimas na chuva.” Ele, o robô, está emocionado mas não vemos suas lágrimas. Chove. Sua vida tem apenas segundos de sobra. E acaba de salvar o homem que procurava mata-lo. “É hora de morrer.”




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