16 de Julho de 2022
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Edição de Sábado: Em busca da esperança perdida



Por Flávia Tavares e Pedro Doria

No dia em que tomou posse como presidente da África do Sul, Nelson Mandela se apresentou de terno azul, camisa branca, lenço da mesma cor cuidadosamente posto no bolso. A gravata cinza, amarrou-a num Windsor duplo. Seu discurso não durou dez minutos e ele o leu de forma pausada, com o apoio dos óculos de aviador. Eram óculos de leitura mas preferia as armações com lentes grandes, tingidas num tom ocre que mantinham transparência mas o protegiam da luz. Durante seus 27 anos de prisão, trabalhou quebrando calcário, uma rocha sedimentar tão branca, que refletia o sol tão intensamente, de uma natureza química tão alcalina, que quando enfim deixou o cárcere estava gravemente fotofóbico e havia queimado as glândulas lacrimais a ponto de perder a capacidade de chorar. O líder sul-africano passaria o resto da vida com vermelhidão nos olhos e em busca de ambientes com penumbra. “Cada um de nós está tão intimamente conectado ao solo deste país quanto os jacarandás de Pretoria e as árvores mimosas da savana”, afirmou. “Formamos uma nação arco-íris em paz consigo e com o mundo.” Mandela confirmava ali a visão de futuro para a nação que já havia seduzido o eleitorado. Ele foi eleito para entregar a nação arco-íris em que o convívio de pessoas com cores de pele diferentes seria possível.




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