2 de Maio de 2020
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Edição de Sábado: Bolsonaro patrimonialista



Em meados de julho, no ano de 2019, um tema dominava as preocupações do presidente Jair Bolsonaro. Até ali, ele não havia ainda nomeado um embaixador para os EUA. Mas, naquele mês, o filho Zero Três completou 35, tornando-se apto a ocupar o cargo. E o presidente quis indicá-lo. A repulsa à ideia foi imediata no Congresso, na imprensa, entre cientistas políticos. Todos apontavam que Bolsonaro feria o princípio da impessoalidade. Ele não questionava a crítica. “Lógico que é filho meu”, afirmou em uma live. “Pretendo beneficiar filho meu, sim. Se puder dar filé mignon, eu dou.” Para o presidente, o ato de governar é pessoal. Após ser acusado pelo ex-ministro Sergio Moro de tentar aparelhar a Polícia Federal para impedir investigações a respeito de sua família e aliados, Bolsonaro quis indicar um amigo de família, o diretor-geral da Abin Alexandre Ramagem, para o comando da instituição. Novamente foi acusado de violar a impessoalidade do cargo. No STF, o ministro Alexandre de Moraes apontou que naquela nomeação havia o risco de “desvio de finalidade”. Ou seja, o novo diretor não estava sendo nomeado para dirigir a PF com independência, mas sim para tirar sua independência. Bolsonaro não se conformou. “Não engoli ainda essa decisão”, declarou à porta do Alvorada. Os exemplos são inúmeros.




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