6 de Junho de 2020
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Edição de Sábado: Ser Negro na América



Na história do racismo americano, poucos personagens têm a complexidade de Thomas Jefferson, o terceiro presidente. É de Jefferson o texto da Declaração de Independência, o documento que promoveu o rompimento das Treze Colônias com o Império Britânico. “Temos estas verdades por auto evidentes”, escreveu, “que todos os homens são criados iguais, que a eles são outorgados por seu criador certos direitos inalienáveis, dentre os quais a vida, a liberdade e a busca da felicidade.” Palavras fortes naquela década de 1770. Ao longo de sua vida, foi dono de mais de 600 seres humanos. Em sua fazenda, Monticello, trabalhavam pelo menos 130 escravos. Dentre os pais fundadores dos EUA, poucos eram tão reflexivos a respeito dos valores do liberalismo — que começam pela liberdade. Nenhum escrevia como ele. Nem Benjamin Franklin, nem Alexander Hamilton. Ele era o grande escritor. E foi por isso que encomendaram a ele, que era um dos mais jovens no Congresso aos 33, o texto daquela declaração. Seu texto tinha qualidade não só pela fluidez e pelo talento. Era também porque Jefferson era um leitor voraz, um homem por toda a vida endividado pelo que gastava em livros e vinhos. Conhecia profundamente a filosofia sobre a qual escrevia como político. Ainda por cima, falava de seus valores com sinceridade ímpar.




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