13 de Junho de 2020
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Edição de Sábado: As marcas de um país racista



O racismo é um jeito de organizar a sociedade. As relações sociais. Um jeito imposto, pois cria facilidades para uns enquanto nega a outros. Nos EUA, o racismo foi institucionalizado. Virou lei. Era, abertamente, o motivo de conflito entre Sul e Norte. Uma disputa econômica, na verdade, com a escravatura no centro. Fez parte do acordo para criação do país, quase o fez quebrar durante a Guerra de Secessão, institucionalizou-se século 20 adentro num conjunto de leis de segregação apelidadas Jim Crow. Teve, e continua tendo, seu pior rosto nos homens encapuzados de branco da Ku Klux Klan. Ocorre que, em cada país, o processo de racismo se dá de forma diferente. Se nos EUA esteve sempre assumidamente no centro do debate político, no Brasil ele sempre foi negado. Evitamos o conflito — é um de nossos traços culturais. Não porque o conflito não exista, mas porque nosso jeito de lidar é escamoteando. Por evitar o conflito aberto, deixa-lo só nas entrelinhas, é como se a sociedade fizesse um pacto de fingir que não há racismo. Nos EUA, o movimento negro jamais precisou provar qualquer coisa. Ele era declarado. No Brasil, precisa. Todos os dias. Cá nesta edição contaremos algumas histórias que mostram como se construiu o racismo brasileiro. Mas, antes, não custa apresentar alguns números. Porque eles dizem muito.




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