27 de Junho de 2020
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Edição de Sábado: Quando Stonewall transformou o movimento gay



As batidas em bares gays costumavam acontecer no início da noite. Eram frequentes na Nova York dos anos 1960. Não era ilegal ser gay no estado, mas chegava perto. Beijar em público, ou mesmo dar as mãos, constituía ato obsceno. Era obrigatório vestir no mínimo três peças de roupa que confirmassem seu gênero. E estabelecimentos comerciais só conseguiam licenças para fornecer bebida alcoólica sob determinadas condições e uma delas era não vender para desordeiros. Gays eram considerados por natureza desordeiros. Então todos os bares voltados para a comunidade eram ilegais e pertenciam à máfia. Pois as batidas eram frequentes e sempre iguais. Policiais vestidos em roupas civis entravam como clientes, mapeavam o lugar e enviavam um sinal para fora. Os fardados então chegavam, sempre antes das 22h, mandavam embora a maioria dos clientes, mas detinham homens e mulheres que violassem os códigos de vestimenta, os suspeitos da venda de drogas, garçons e gerentes. Aí destruíam o local. Mesas, cadeiras, o equipamento. Tudo para dificultar ao máximo a reabertura. Em geral, postos para fora, os clientes rapidamente se dispersavam pelas ruas, com medo de serem vistos ali, reconhecidos, e assim identificados como homossexuais. Viver no armário era a norma. Mas aquela noite desde o início já se mostrava diferente. Porque sentados no pequeno Cristopher Park, atravessando a rua daquele bar, o inspetor Seymour Pine e o detetive Charles Smythe esperavam o sinal para entrar no Stonewall Inn e o sinal não vinha. Àquela altura, a meia-noite já passara. 28 de junho, 1969.




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