29 de Agosto de 2020
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Edição de Sábado: As Origens do Nacional Desenvolvimentismo



Quem o conheceu conta que sempre sorria. E é assim mesmo que aparece em quase todos os retratos do tempo de presidente: sorrindo. Tinha aquela capacidade de falar com qualquer um no mesmo tom, não importa se rico ou pobre, com poder ou sem. Juscelino sempre ouvia atento. Hoje, seus discursos não impressionariam — tinham aquele tom de político antigo em que cada palavra é dita por inteiro, nunca tomava atalhos de raciocínio, mesmo quando improvisava parecia recitar um texto escrito. Tremia alguns dos Rs. Mas a memória que deixou foi a de um presidente que imaginou um país grande e o entregou. O presidente do tempo do otimismo, cujo período de governo é chamado Anos Dourados, que governou um país que ganhava o mundo — pela Copa de 1958, pela Bossa Nova que nascia, pelas duas polegadas de Martha Rocha, pela arquitetura modernista que criava. Era um democrata convicto, Juscelino Kubitschek de Oliveira, uma característica já rara naquele tempo em que tantos viam na possibilidade de um regime autoritário o atalho para dar um jeito definitivo no Brasil. E, no entanto, JK entregou ao sucessor um país que crescia como nunca e, ainda assim, estava quebrado. Um país que não ficaria mais de pé em tempo de manter sua democracia.




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