10 de Abril de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Biden, o radical

Quando Ronald Reagan chegou ao Capitólio numa manhã atipicamente quente para um 20 de janeiro, em 1981, ele se vestia ainda como um homem de outro tempo. Terno completo — a calça e paletó pretos, o colete e a gravata num tom claro de cinza. Abotoaduras. Douradas. Ele próprio modernizaria a vestimenta na segunda posse, apenas quatro anos depois, dispensando o colete, usando gravata marrom listrada. Mas isso foi só depois. Naquele dia, após jurar a Constituição, beijar na bochecha a mulher Nancy, ao som da marcha Here Comes the Chief Reagan cumprimentou seu antecessor Jimmy Carter e se pôs perante o microfone com um sorriso ligeiro. Deu ao discurso um tom formal e ao mesmo tempo fluido. Ele sabia ser eloquente, mas naquela manhã preferiu um cuidadoso equilíbrio entre o formal e a conversa amiga, sempre sério, nunca coloquial demais, mas direto ao ponto. O velho ator, com pleno ... (Leia mais)

3 de Abril de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Quando um levante PM derrubou um presidente

No final da tarde de 3 de outubro, em 1930, a Brigada Militar do Rio Grande do Sul passou em marcha pelos portões do Quartel-General da 3a Região Militar. Aqueles soldados gaúchos atendiam por este nome, Brigada Militar, desde que foram consolidados numa só força, em 1892, pouco tempo após a Proclamação da República. Exerciam dois papeis simultâneos — eram como que um pequeno exército estadual, mas eram também uma polícia militar, uniformizada e obediente ao governador. Em 1968, passaram a atender por este nome. Polícia Militar do Rio Grande do Sul. Mas, em 1930, eram ainda a Brigada Militar e, na tarde daquele 3 de outubro, passaram em marcha perante o QG do Exército Brasileiro em Porto Alegre. As sentinelas não prestaram muita atenção naquela marcha. Ela começara a ocorrer todos os dias após o fim do expediente umas semanas antes. Eram ordens de Oswaldo Aranha, secretário do Interior ... (Leia mais)

27 de Março de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Nove países, Nove experiências de Covid

É consenso, no mundo, que o Brasil lidou muito mal com a pandemia. Mas e outros países, o que fizeram? As estratégias foram diversas. Em alguns casos, como o chinês, o fato de haver um regime ditatorial permitiu mapear a epidemia com detalhes. Já que o governo sabia onde estava cada cidadão em qualquer momento, pelo controle de celulares e câmeras, foi possível localizar quem esteve com pessoas infectadas e construir algo parecido com um lockdown personalizado. Mas também democracias fizeram rastreamento. Israel, impondo o serviço às companhias telefônicas. A Coreia do Sul contando com a disciplina voluntária da população. Os países que conseguiram manter um sistema de rastreamento sofreram menos com isolamento social. Houve países que apostaram em enfrentar a pandemia de peito aberto, contando com gerar imunidade de rebanho. A Suécia fez isso. A imunidade não veio. O que veio foi um dos maiores índices de morte do ... (Leia mais)

20 de Março de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: O pior presidente da história

É sempre uma tarefa ingrata definir quem é um bom líder político e quem não é — e isso vale mesmo para os líderes do passado. A política é sempre percebida pelas lentes das simpatias ideológicas e, com frequência demais, o líder bom parece ser aquele com quem compartilhamos ideias. Mas há critérios objetivos, também, principalmente quando falamos daqueles que ocupam cargos de comando. Que ocupam, por exemplo, a presidência da República. Trinta e sete homens e uma mulher estiveram nesta cadeira desde a proclamação, em 1889. Alguns estiveram ali por só alguns dias — Carlos Luz, Ranieri Mazzilli. Outros foram eleitos mas não tomaram posse e, por isso, não entram na conta. Júlio Prestes foi deposto antes, Tancredo Neves morreu. Ainda assim, alguns critérios objetivos são possíveis de ser estabelecidos. A presidência, afinal, tem objetivos. De cara, a ideia é entregar um país melhor. É construir um ambiente onde ... (Leia mais)

13 de Março de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Mãos Limpas, Lava Jato, na Itália foi como no Brasil

Luca Magni, um empresário de 32 anos, elegante num terno e gravata, estava nervoso quando entrou no escritório do diretor do asilo Pio Alberto Trivulzio, uma residência pública para idosos existente fazia quase três séculos, em Milão. O diretor, Mario Chiesa, era o único na sala e o convidou a sentar. “Aqui está o dinheiro, engenheiro”, disse para Chiesa enquanto lhe entregava um maço de liras. Não havia euros, ainda. Era domingo, 17 de fevereiro de 1992. “Só sete milhões?”, questionou o diretor. “Não consegui reunir tudo, ainda mais em espécie”, lhe respondeu o empresário. Magni era dono do pequeno negócio garantia a limpeza do asilo. Aquele dinheiro, suborno, servia pra manter o contrato. Chiesa estava impaciente. “Mas o acordo era” — não terminou a frase. Magni o interrompeu. “Eu sei, engenheiro, eu sei. Vou trazer o que falta logo, os outros sete.” Ele já tinha entradas precoces que faziam ... (Leia mais)

6 de Março de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: O Brasil na pandemia... cem anos atrás

Proteger a saúde ou a economia, cuja estagnação também tem consequências nefastas sobre o povo? Obedecer às boas práticas preconizadas pelos especialistas ou resistir à “ditadura da ciência” em nome das liberdades individuais? Impor medidas impopulares, mas eficazes, ou tentar uma composição que desagrade menos? Lendo assim parece um recorte das notícias que trazemos em bases diárias aqui mesmo no Meio. Só que essa discussão foi travada no Brasil há mais de 120 anos, com a pandemia da gripe espanhola, ou como é chamada pelos cientistas, a Gripe Pandêmica de 1918. Já que, segundo George Santayana, quem não aprende com a História está fadado a repeti-la, vamos ver o que aconteceu no tempo dos nossos trisavós – um spoiler: é bem parecido com o que vemos hoje. Lá pelos idos de agosto de 1918 diversos assuntos ocupavam a atenção da imprensa, do público e das autoridades no Brasil. Havia uma ... (Leia mais)

27 de Fevereiro de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Os militares e as estatais

A Petrobras terá no comando o general da reserva Joaquim Silva e Luna — desde a década de 1980 a empresa não era presidida por um militar. Das 46 empresas com controle direto da União, passam a ser 16 as com militares no topo, uma lista que inclui os Correios, a Infraero, a Finep e a Valec. Índice próximo a esse, apenas no período da Ditadura. Por isso mesmo, vale lembrar aqueles anos entre 1964 e 85 quando o Exército pensou o Brasil. Porque, afinal, a visão que as Forças Armadas tinham do país segue muito parecida. Aqueles vinte e um anos podem ser divididos em três grandes períodos econômicos — a largada inicial, no governo de Humberto Castelo Branco, foi meio que um freio de arrumação. Mas já a partir do segundo general, Artur da Costa e Silva, o governo levou o país a uma aceleração do crescimento que ... (Leia mais)

20 de Fevereiro de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Rui Barbosa já havia percebido

Ele era baixo — e feio. Mal passava do metro e meio de altura, pesava menos de 50 quilos de tão magro, mas tinha uma cabeça imensa. Desde jovem, quando o cabelo ainda era dum castanho bem escuro, tinha largas entradas. Conforme foi envelhecendo, o grisalho de fios finos foi sendo substituído por um branco muito branco que contrastava com a pele morena de caboclo. Como as entradas avançaram com os anos até o cocuruto, foi ganhando uma testa enorme, Rui Barbosa. Sempre teve bigode, o mesmo bigode imenso que parecia ir além do rosto. Nuns períodos o penteava de forma que as pontas curvassem para cima num deslizar plasticamente perfeito. Noutros deixava solto, natural, um amontoado de pelos sobre a boca. Ao nariz, um pince-nez ovalado. O relógio sempre no bolso do colete, a correia pendendo. Foi ficando mais miúdo com a idade e, no entanto, a cabeça grande, ... (Leia mais)

13 de Fevereiro de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Brasil, campeão da fragmentação partidária

Foi agora na quinta-feira. O novo presidente da Câmara dos Deputados, o alagoano Arthur Lira (PP), anunciou que pretende levar ao plenário uma nova proposta de emenda constitucional. Ele tem dois objetivos. Autorizar o retorno das coligações partidárias e flexibilizar a cláusula de barreira. Se aprovada uma emenda assim, pela segunda vez desde que a Constituição foi homologada a tentativa de domar o número de partidos no Brasil irá por água abaixo. Em 2018, deputados de 30 partidos foram eleitos para a Câmara. Eram 22 há dez anos, quando Dilma Rousseff chegou ao Planalto pela primeira vez. O número de legendas está diretamente ligado à qualidade de uma democracia — quanto mais, pior. E o Brasil tem um dos sistemas partidários mais fragmentados do mundo. Aliás, ainda antes de tudo começar a desandar em 2013, já havia cientistas políticos que olhavam para o número de partidos no país e temiam ... (Leia mais)

6 de Fevereiro de 2021 | PREMIUM

Edicão de sábado: Geopolítica da vacina, o novo jogo mundial

John Kennedy gostava de repetir uma lenda urbana linguística segundo a qual o ideograma chinês para “crise” juntava as palavras “risco” e “oportunidade”. Mesmo não sendo verdade, essa milenar sabedoria inventada está sendo levada a cabo pelos próprios chineses, pelos indianos e pelos russos. Apesar de serem, respectivamente, primeiro, segundo e nono países mais populosos do planeta, estão vendendo — e, em alguns casos, doando — vacinas e insumos para outras nações, mesmo mal tendo começado a imunizar seus próprios habitantes. Isso, claro, não se dá pela candura dos corações de Xi Jinping, Narenda Modi e Vladmir Putin. A ideia por trás dessa ação tem nome: a geopolítica da vacina. “A vacina é uma ótima ferramenta de política externa, de projeção de poder”, avalia Creomar de Souza, analista de risco da Consultoria Dharma e professor de cenários futuros da Fundação Dom Cabral. “O caso indiano, por exemplo, mostra uma estratégia ... (Leia mais)

30 de Janeiro de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Três presidentes da Câmara e o impeachment

É como se impeachment estivesse na moda. Embora o instrumento tivesse estado presente em todas as constituições brasileiras desde a primeira, em 1824, nunca havia se falado tanto de impeachment como naqueles primeiros anos da década de 1950. Talvez enfim tivesse se percebido nele uma possível arma política. Só em 1953, processos de impedimento de governadores foram avaliados pelas Assembleias Legislativas de Alagoas, contra Arnon de Mello, e do Rio Grande do Norte, contra Silvio Pedrosa. No ano seguinte, a Câmara Municipal de São Paulo estudou outro, contra o prefeito recém-eleito Jânio Quadros. Um vereador quis um exame que atestasse “sua sanidade mental”. Eram, em todos os casos, disputas políticas que não levaram a canto algum. O PSD alagoano contra o governo da UDN — e a UDN potiguar contra o governo do PSD. Ou então o grupo do velho capo paulista Adhemar de Barros que se insurgia contra aquele ... (Leia mais)

23 de Janeiro de 2021 | PREMIUM

Edicção de Sábado: Como as democracias sobrevivem?

Lançado em janeiro de 2018, o livro Como as Democracias Morrem fez dos cientistas políticos Steven Levitsky e Daniel Ziblatt celebridades instantâneas nos EUA — e também em muitos círculos fora. Ambos professores de Harvard, escreveram para o público de seu país embora não sejam especialistas em política local. Levitsky estuda política latino-americana e, Ziblatt, europeia. Mas, por isso mesmo, conheciam bem algo que era mais distante de seus pares por ali: o processo pelo qual democracias decaem ao ponto de se tornar ditaduras. Livro curto, fácil de ler, objetivo e escrito para ser um alerta. Perante Donald Trump, que naquele janeiro entrava em seu segundo ano de mandato, eles afirmavam que os EUA flertavam com um autocrata que poderia, sim, acabar com a democracia americana. A mais longeva do mundo. E, ao fazer seu alerta local, mostraram ao mundo como há um modelo novo de criação de ditaduras que ... (Leia mais)

16 de Janeiro de 2021 | PREMIUM

Edicão especial: o que sabemos sobre as vacinas... até agora

Se o gerenciamento da vacinação contra a Covid-19 no Brasil está nos ensinando algo é que nada está garantido até que tenha acontecido. Uma das poucas certezas é que amanhã, dia 17, a diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai se reunir para autorizar ou não o uso emergencial de duas vacinas, a CoronaVac, da chinesa SinoVac em parceria com o Instituto Butantan, e a da Universidade de Oxford/AstraZeneca com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Na segunda-feira termina o prazo de dez dias estabelecido pela própria Anvisa para dar uma resposta aos pedidos de uso emergencial. Passada a única certeza – a data limite da Anvisa –, começa um emaranhado de dúvidas que envolve até mesmo qual vacina estará disponível para os brasileiros. No momento em que este texto é escrito, a exportação para o Brasil de dois milhões de doses da vacina de Oxford fabricadas na Índia ... (Leia mais)

9 de Janeiro de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Ascensão e derretimento do Partido Republicano de Trump

Aproximavam-se as 17h de uma quarta-feira, 7 de agosto em 1974, quando o chefe de gabinete do presidente Richard Nixon abriu a porta do Salão Oval para que entrasse, acompanhado de um deputado, o senador Barry Goldwater. Aos 65, o cabelo grisalho curto à moda militar, óculos espessos de casco de tartaruga escuro, Goldwater tinha o rosto quadrado, queixo proeminente, bem poderia fazer um caubói no cinema. Era, aliás, um homem do Oeste, do Arizona. Um homem rígido e com frequência mal-humorado mas que, por uma série de características pessoais, parecia o único republicano capaz de desempenhar aquela missão com a necessária sisudez. Barry, como o chamavam seus pares, acertaria o tom. Diferentemente da maior parte dos políticos, o seu instinto era de falar sempre, e com clareza, exatamente aquilo que pensava. Não suavizava o discurso de acordo com o interlocutor. Era senador e, além disto, havia sido o último ... (Leia mais)

19 de Dezembro de 2020 | PREMIUM

Edição de Sábado: Luz após a mais longa noite

Hoje é 19 de dezembro de 2020. Na noite de ontem, judeus de todo o mundo concluíram o Hanukkah, a festa das luzes. Dentro de cinco dias, bilhões de cristãos celebrarão o nascimento de Jesus. Na próxima segunda-feira, religiões neopagãs (mesmo as que não se aceitam como “neo”) começam a celebração de Yule no Hemisfério Norte. No Irã, a despeito da predominância do Islã, o Shab-e Yalda ainda homenageia o nascimento de Mitra. Na China, oficialmente ateia, o Dong Zhi continua a congregar celebrantes. E lista segue. Como é possível que povos tão diferentes tenham celebrações de significados semelhantes no mesmo período do ano? A resposta está no que hoje chamamos de Astronomia. O solstício de Inverno, que acontece no dia 21 no Hemisfério Norte, enquanto aqui encaramos o solstício de Verão e o calor infernal que vem com ele. Antes de seguirmos, são necessárias duas notas de esclarecimento. Como ... (Leia mais)

12 de Dezembro de 2020 | PREMIUM

Edição de Sábado: John Lennon, este senhor de 80 anos

Cinco tiros dados pelas costas, quatro deles no alvo. O assassino se senta na calçada e lê calmamente um livro enquanto aguarda a polícia. Uma ambulância leva a vítima até o hospital, mas os médicos constatam que não havia mais o que fazer. John Lennon estava morto. A notícia do que havia acabado de acontecer na noite daquele 8 de dezembro de 1980 provocou ondas de choque emocionais em todo o mundo. Sozinhos em seus quartos ouvindo discos ou reunidos em multidões diante do Hospital Roosevelt, onde estava o corpo, e do Edifício Dakota, local do crime, os fãs choraram o vazio provocado pela obsessão de Mark David Chapman, o criminoso. Quatro décadas depois, Lennon permanece um mito, e sua música, em particular a produzida nos Beatles, continua inspirando e influenciando. Se estivesse vivo, teria 80 anos. Quem seria esse ancião, artística e politicamente? Não existe história contrafactual, mas nada ... (Leia mais)

5 de Dezembro de 2020 | PREMIUM

Edição de Sábado: Renda Básica Universal é o futuro?

Na virada dos anos 1920 para 30, a Grande Depressão era causa de grande angústia para uma trupe de intelectuais e artistas britânicos que, informalmente, se tornou conhecida como grupo de Bloomsbury por conta da vizinhança londrina em que todos moravam. De mais próximos a mais distantes, faziam parte do conjunto a escritora Virginia Woolf, o filósofo Bertrand Russel, o economista John Maynard Keynes. Educados nas melhores universidades do país, muitos criados na aristocracia, todos brilhantes, cultivavam uma excentricidade comum e criam que havia um prazer profundo e fundamental a se aproveitar no convívio com as artes. Eram pacifistas, experimentavam sexualmente, todos feministas, antiautoritários, engajados num constante debate intelectual. Ideias, mesmo que muito ousadas, mereciam cuidadoso escrutínio. Eram burgueses. Gostavam da boa vida, e se dedicavam a aproveitar esta vida. Pois a Grande Depressão ameaçava seu mundo ao espalhar pobreza e desespero, incitando movimentos radicais como Comunismo e Fascismo. Aquele ... (Leia mais)

28 de Novembro de 2020 | PREMIUM

Edição de Sábado: Teorias Conspiratórias não vão embora nunca

O foco apareceu quando se aproximava a madrugada, entre 18 e 19 de julho, no ano de 64. Foi bem perto do Circo Máximo, a primeira chama, portanto a menos de um quilômetro do palácio imperial. A lua estava cheia, o céu límpido, e noites assim na cidade de Roma ainda hoje são tão claras que dá para ver como se fosse dia. Aquela, porém, era ainda uma cidade em grande parte pobre, erguida em madeira, e o vento úmido e constante que calhou de bater foi fazendo as chamas se alastrarem. Roma ardeu por nove dias ininterruptos. E em algum daqueles dias começou a se alastrar lenta, também, não só fogo mas também a história de que o incêndio não era acidente. Que tinha culpado. Que havia sido por ordem do próprio imperador. Ordem de Nero. O jovem imperador tinha 26 anos. Havia já ordenado a morte da mãe ... (Leia mais)

21 de Novembro de 2020 | PREMIUM

Edição de Sábado: Quando vencer em política exige reinvenção

Quando Bill Clinton se elegeu presidente, em 1992, ele não era apenas o governador muito jovem e em grande parte desconhecido de um estado pobre no sul americano. Clinton rompia também um longo jejum. Dos seis mandatos presidenciais anteriores, apenas um havia sido democrata. E Jimmy Carter era lembrado como bem intencionado, porém inepto e fraco. O novo presidente tinha 46 anos de idade e uma responsabilidade deste tamanho: a de não fracassar. E não fracassar queria dizer, antes de tudo, compreender algo que ele entendia com clareza. Às vezes, na política, é preciso um redesenho, há que se reimaginar ideias e pactos. Seu partido tinha de ser reinventado para que pudesse voltar ao poder. Este não é um fenômeno raro. De tempos em tempos, grupos políticos precisam se reinventar. Acordos antes inimagináveis precisam ser feitos. Só algo diferente, algo novo, torna a trazer vitórias eleitorais. Para entender o problema ... (Leia mais)

14 de Novembro de 2020 | PREMIUM

Edição de Sábado: O Brasil que vai às urnas

Em meio a uma pandemia, com um estado da União ainda às escuras e enfrentando na medida do possível as ondas de desinformação nas redes sociais, os brasileiros amanhã vão escolher os próximos prefeitos e vereadores de 5.570 municípios. Cada eleição é diferente da outra, mas esta abusa do direito de ser atípica, e não apenas pelos fatores listados acima. O país ainda não processou completamente o impacto da Lava-Jato em sua estrutura partidária, convive com um governo que mantém a polarização em fogo alto e vê só agora uma reorganização da oposição. Mas o que esses assuntos “federais” têm a ver com as eleições nos municípios, que deveriam tratar de creches, saneamento, postos de saúde, mobilidade urbana e outros temas locais? Tudo. Numa democracia, a política se faz de baixo para cima. Vereadores e prefeitos são cabos eleitorais de governadores e deputados estaduais, que, por sua vez, são importantes ... (Leia mais)