12 de Junho de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Como desmontar um golpe de Estado

No último dia 6 de janeiro, o Congresso americano se reuniu para homologar a eleição presidencial que havia designado Joe Biden sucessor de Donald Trump na Casa Branca. Enquanto os parlamentares trabalhavam, em frente à residência presidencial Trump discursava perante um grande grupo de seguidores. “Nós vamos descer a Pennsylvania Avenue”, ditou o presidente, “e tentaremos dar aos republicanos fracos, porque os fortes não precisam de ajuda, vamos tentar dar a eles o tipo de orgulho e bravura que precisam ter para tomar de volta nosso país.” A Pennsylvania, que corta transversalmente quase toda a cidade de Washington, liga a Casa Branca ao Capitólio, o prédio do Parlamento, três quilômetros distante, não mais que meia hora de caminhada. Desde semanas antes, grupos paramilitares radicalizados e favoráveis a Trump vinham já planejando uma invasão do prédio. Com o incentivo do presidente em seus últimos dias, a eles se juntou uma multidão ... (Leia mais)

5 de Junho de 2021 | PREMIUM

Edicão de sábado: A tragédia da Covid na saúde mental dos jovens indígenas

Como você se sentiria se uma catástrofe destruísse as escolas, as bibliotecas, os museus, os arquivos, tudo aquilo que nos liga a nosso passado? Pois foi exatamente o que a Covid-19 fez a comunidades indígenas ao ceifar os anciãos. E as vítimas não foram apenas os que morreram, mas também os jovens, privados de suas referências, suas interações sociais, seus rituais e tantos outros elementos de seu cotidiano. A pandemia é como um malho que cai mais pesado sobre os mais vulneráveis. Como isso afetou seu bem-estar mental, só os próprios jovens poderiam dizer. Para isso, entre novembro de 2020 e janeiro deste ano, 533 indígenas entre 15 e 22 anos de oito regiões do território amazônico ganharam voz no projeto Saúde mental de populações indígenas na Amazônia brasileira no contexto da Covid-19, uma parceria entre o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Instituto Leônidas e Maria ... (Leia mais)

29 de Maio de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: A Sociedade do Espetáculo e Bolsonaro

Não era algo que boa parte dos analistas esperasse. Mas a CPI da Covid mais que dobrou a audiência da TV Senado na tela grande — e isto não conta o público via internet. As transmissões alavancaram a GloboNews a líder em audiência no cabo e a CNN Brasil teve, também, considerável aumento. Acabou o Big Brother Brasil, a CPI virou a nova campeã de audiência, o novo entretenimento do brasileiro. Ao primeiro olhar pode parecer um espetáculo monótono. Cativa, porém, e principalmente explica. Faz entender como, quando e por que o Palácio do Planalto fez campanha contra o combate à pior pandemia em um século. Os resultados desta audiência já começam a se mostrar nas pesquisas. Números do PoderData indicam que 67% dos brasileiros estão acompanhando os trabalhos da comissão. E 62% desejam o impeachment do presidente. Este número nunca foi tão alto. Isto num país em que 97% ... (Leia mais)

22 de Maio de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: A mentira do populista dá credibilidade

O Flow podcast é um dos mais badalados programas digitais de debate da internet brasileira. De segunda a sexta-feira, exibido a partir das 20h, quando os dois apresentadores se reúnem ao redor da mesa para uma longa conversa com convidados. E, na semana passada, um trecho destes debates explodiu. Se tornou um dos mais badalados assuntos das redes sociais. Enquanto isso, na CPI da Covid, o general Eduardo Pazuello se tornava o terceiro ex-ministro do governo Jair Bolsonaro a sentar perante os senadores e mentir. Mentir, inclusive, a respeito de momentos gravados em vídeo. Facilmente desmontáveis. No Flow, o confronto foi entre Gabriela Prioli, comentarista da CNN Brasil, e um dos apresentadores. Bruno ‘Monark’ Aiub. Monark vinha falando sobre educação no Brasil quando Gabriela questionou suas premissas. “Isso é muito chato”, ele reclamou. “Não poder conversar, falar sobre o que penso porque não tenho números e estatísticas.” Já não era ... (Leia mais)

15 de Maio de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: O método Netanyahu de governar

Sheikh Jarrah, um bairro muçulmano em Jerusalém Oriental, começou a ser povoado na segunda metade do século 19 bem próximo do túmulo de Hussam al-Din al-Jarrahi, médico particular de Nácer Saladim, o sultão de Egito e Síria que venceu os cruzados do rei Ricardo Coração de Leão. Faz tempo — foi na década de 1170. Mas o nome de al-Jarrahi se tornou nome do bairro. Sheikh Jarrah. Ao menos, o nome para alguns. Não longe dali fica outro túmulo, o de Simão, o Justo, sumo-sacerdote do Segundo Templo duzentos ou trezentos anos antes de Cristo — a data não é certa. Para muitos judeus, principalmente religiosos, o bairro tem este nome. Simão, o Justo. Shimon HaTzadik. Quando o casario começou a subir, entre os anos de 1860 e 70, judeus e árabes moravam lado a lado. Muito aconteceu desde então. Em sua curta história numa cidade de quatro mil anos, ... (Leia mais)

8 de Maio de 2021 | PREMIUM

Edição de sábado: A aposta na polícia que mata

Na última quinta-feira, uma operação da Polícia Civil do Rio na favela do Jacarezinho terminou com 28 mortos – um policial e 27 “suspeitos”. Para o ministro do STF Edson Fachin, há indícios de execução arbitrária, e a PGR suspeita de desrespeito a uma ordem do Supremo contra ações desse tipo. Já o vice-presidente Hamilton Mourão se apressou em afirmar que os civis mortos “eram criminosos”. A questão é que a polícia fluminense nunca havia matado tantas pessoas de uma única vez, embora ações com a contagem de corpos na casa das dezenas sejam registradas há décadas. Desde 1998, uma pessoa morre nas mãos da polícia, em média, a cada dez horas. Isso é uma política de segurança? Mais, isso traz resultados positivos? Ambas as respostas são não, segundo Melina Risso, diretora de Programas do Instituto Igarapé, doutora em Administração Pública pela FGV e coautora de Segurança Pública para Virar ... (Leia mais)

1 de Maio de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: O Fim dos Sindicatos?

A diferença foi de dois para um — ninguém esperava tanto. Há duas semanas, os 1800 empregados de um centro de armazenamento da Amazon, no Alabama, votaram numa proporção de dois para um contra a ideia de formar um sindicato para defender seus interesses. O próprio novo presidente americano, Joe Biden, havia gravado um vídeo em defesa de sindicatos — a campanha foi imensa. “Não foi Wall Street que criou a América”, ele disse. “Foi a classe média. E sindicatos criaram a grande classe média.” Talvez. Mas os empregados não quiseram. Para a maioria, o salário base de US$ 15 a hora é o maior que já haviam recebido, o sólido seguro de saúde é um dos mais completos da região e, em sua maioria jovens, os trabalhadores tiveram dificuldade de enxergar num sindicato alguma vantagem. Não é, para o sindicalismo, uma derrota pequena. A Amazon é hoje o segundo ... (Leia mais)

24 de Abril de 2021 | PREMIUM

Edicão de sábado: Brasil e EUA trocam papéis na geopolítica ambiental

Nos últimos dois dias o Brasil sofreu uma grave humilhação diplomática. O presidente brasileiro foi o 19º a falar na Cúpula (virtual) do Clima. E, enquanto Jair Bolsonaro usava quase sete minutos para fazer promessas vagas e apresentar dados falsos ou distorcidos, a câmera mostrava a cadeira vazia do anfitrião do evento, o presidente americano Joe Biden. Tal situação é inimaginável para quem, há 29 anos, acompanhou a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92. Em meio a uma intensa crise política que deporia meses depois o presidente Fernando Collor, o Brasil – mais precisamente, o Rio de Janeiro – sediou um evento global e assumiu um papel de protagonismo no debate sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável. De um lado da mesa estavam países em desenvolvimento, cientistas e ONGs; do outro, o presidente dos Estados Unidos, George Bush (pai). Enfrentando uma dura – e no ... (Leia mais)

17 de Abril de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: CPIs moldaram a Nova República

Quando o motorista Eriberto França se sentou à frente de deputados e senadores em 1º de julho, 1992, a Constituição brasileira ainda não tinha quatro anos de idade. Um homem magro e alto de sobrancelhas espessas, Eriberto depôs na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito gesticulando muito com as mãos. “Teve um pessoal do Planalto que procurou por mim na casa da minha sogra”, ele contou. paletó se estendia para além dos ombros, num desalinho da peça que talvez não tivesse sido costurada para ele. Estava nervoso, o motorista — não à toa. As histórias que contava tratavam de levar e trazer dinheiro em espécie e sem origem clara para pagar as contas da casa do presidente da República. À noite, os telejornais mostraram a sala da CPI lotada, com parlamentares, assessores, gente de toda sorte em pé e sentada. Atrás da mesa, no meio metro até a parede, um amontoado ... (Leia mais)

10 de Abril de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Biden, o radical

Quando Ronald Reagan chegou ao Capitólio numa manhã atipicamente quente para um 20 de janeiro, em 1981, ele se vestia ainda como um homem de outro tempo. Terno completo — a calça e paletó pretos, o colete e a gravata num tom claro de cinza. Abotoaduras. Douradas. Ele próprio modernizaria a vestimenta na segunda posse, apenas quatro anos depois, dispensando o colete, usando gravata marrom listrada. Mas isso foi só depois. Naquele dia, após jurar a Constituição, beijar na bochecha a mulher Nancy, ao som da marcha Here Comes the Chief Reagan cumprimentou seu antecessor Jimmy Carter e se pôs perante o microfone com um sorriso ligeiro. Deu ao discurso um tom formal e ao mesmo tempo fluido. Ele sabia ser eloquente, mas naquela manhã preferiu um cuidadoso equilíbrio entre o formal e a conversa amiga, sempre sério, nunca coloquial demais, mas direto ao ponto. O velho ator, com pleno ... (Leia mais)

3 de Abril de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Quando um levante PM derrubou um presidente

No final da tarde de 3 de outubro, em 1930, a Brigada Militar do Rio Grande do Sul passou em marcha pelos portões do Quartel-General da 3a Região Militar. Aqueles soldados gaúchos atendiam por este nome, Brigada Militar, desde que foram consolidados numa só força, em 1892, pouco tempo após a Proclamação da República. Exerciam dois papeis simultâneos — eram como que um pequeno exército estadual, mas eram também uma polícia militar, uniformizada e obediente ao governador. Em 1968, passaram a atender por este nome. Polícia Militar do Rio Grande do Sul. Mas, em 1930, eram ainda a Brigada Militar e, na tarde daquele 3 de outubro, passaram em marcha perante o QG do Exército Brasileiro em Porto Alegre. As sentinelas não prestaram muita atenção naquela marcha. Ela começara a ocorrer todos os dias após o fim do expediente umas semanas antes. Eram ordens de Oswaldo Aranha, secretário do Interior ... (Leia mais)

27 de Março de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Nove países, Nove experiências de Covid

É consenso, no mundo, que o Brasil lidou muito mal com a pandemia. Mas e outros países, o que fizeram? As estratégias foram diversas. Em alguns casos, como o chinês, o fato de haver um regime ditatorial permitiu mapear a epidemia com detalhes. Já que o governo sabia onde estava cada cidadão em qualquer momento, pelo controle de celulares e câmeras, foi possível localizar quem esteve com pessoas infectadas e construir algo parecido com um lockdown personalizado. Mas também democracias fizeram rastreamento. Israel, impondo o serviço às companhias telefônicas. A Coreia do Sul contando com a disciplina voluntária da população. Os países que conseguiram manter um sistema de rastreamento sofreram menos com isolamento social. Houve países que apostaram em enfrentar a pandemia de peito aberto, contando com gerar imunidade de rebanho. A Suécia fez isso. A imunidade não veio. O que veio foi um dos maiores índices de morte do ... (Leia mais)

20 de Março de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: O pior presidente da história

É sempre uma tarefa ingrata definir quem é um bom líder político e quem não é — e isso vale mesmo para os líderes do passado. A política é sempre percebida pelas lentes das simpatias ideológicas e, com frequência demais, o líder bom parece ser aquele com quem compartilhamos ideias. Mas há critérios objetivos, também, principalmente quando falamos daqueles que ocupam cargos de comando. Que ocupam, por exemplo, a presidência da República. Trinta e sete homens e uma mulher estiveram nesta cadeira desde a proclamação, em 1889. Alguns estiveram ali por só alguns dias — Carlos Luz, Ranieri Mazzilli. Outros foram eleitos mas não tomaram posse e, por isso, não entram na conta. Júlio Prestes foi deposto antes, Tancredo Neves morreu. Ainda assim, alguns critérios objetivos são possíveis de ser estabelecidos. A presidência, afinal, tem objetivos. De cara, a ideia é entregar um país melhor. É construir um ambiente onde ... (Leia mais)

13 de Março de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Mãos Limpas, Lava Jato, na Itália foi como no Brasil

Luca Magni, um empresário de 32 anos, elegante num terno e gravata, estava nervoso quando entrou no escritório do diretor do asilo Pio Alberto Trivulzio, uma residência pública para idosos existente fazia quase três séculos, em Milão. O diretor, Mario Chiesa, era o único na sala e o convidou a sentar. “Aqui está o dinheiro, engenheiro”, disse para Chiesa enquanto lhe entregava um maço de liras. Não havia euros, ainda. Era domingo, 17 de fevereiro de 1992. “Só sete milhões?”, questionou o diretor. “Não consegui reunir tudo, ainda mais em espécie”, lhe respondeu o empresário. Magni era dono do pequeno negócio garantia a limpeza do asilo. Aquele dinheiro, suborno, servia pra manter o contrato. Chiesa estava impaciente. “Mas o acordo era” — não terminou a frase. Magni o interrompeu. “Eu sei, engenheiro, eu sei. Vou trazer o que falta logo, os outros sete.” Ele já tinha entradas precoces que faziam ... (Leia mais)

6 de Março de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: O Brasil na pandemia... cem anos atrás

Proteger a saúde ou a economia, cuja estagnação também tem consequências nefastas sobre o povo? Obedecer às boas práticas preconizadas pelos especialistas ou resistir à “ditadura da ciência” em nome das liberdades individuais? Impor medidas impopulares, mas eficazes, ou tentar uma composição que desagrade menos? Lendo assim parece um recorte das notícias que trazemos em bases diárias aqui mesmo no Meio. Só que essa discussão foi travada no Brasil há mais de 120 anos, com a pandemia da gripe espanhola, ou como é chamada pelos cientistas, a Gripe Pandêmica de 1918. Já que, segundo George Santayana, quem não aprende com a História está fadado a repeti-la, vamos ver o que aconteceu no tempo dos nossos trisavós – um spoiler: é bem parecido com o que vemos hoje. Lá pelos idos de agosto de 1918 diversos assuntos ocupavam a atenção da imprensa, do público e das autoridades no Brasil. Havia uma ... (Leia mais)

27 de Fevereiro de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Os militares e as estatais

A Petrobras terá no comando o general da reserva Joaquim Silva e Luna — desde a década de 1980 a empresa não era presidida por um militar. Das 46 empresas com controle direto da União, passam a ser 16 as com militares no topo, uma lista que inclui os Correios, a Infraero, a Finep e a Valec. Índice próximo a esse, apenas no período da Ditadura. Por isso mesmo, vale lembrar aqueles anos entre 1964 e 85 quando o Exército pensou o Brasil. Porque, afinal, a visão que as Forças Armadas tinham do país segue muito parecida. Aqueles vinte e um anos podem ser divididos em três grandes períodos econômicos — a largada inicial, no governo de Humberto Castelo Branco, foi meio que um freio de arrumação. Mas já a partir do segundo general, Artur da Costa e Silva, o governo levou o país a uma aceleração do crescimento que ... (Leia mais)

20 de Fevereiro de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Rui Barbosa já havia percebido

Ele era baixo — e feio. Mal passava do metro e meio de altura, pesava menos de 50 quilos de tão magro, mas tinha uma cabeça imensa. Desde jovem, quando o cabelo ainda era dum castanho bem escuro, tinha largas entradas. Conforme foi envelhecendo, o grisalho de fios finos foi sendo substituído por um branco muito branco que contrastava com a pele morena de caboclo. Como as entradas avançaram com os anos até o cocuruto, foi ganhando uma testa enorme, Rui Barbosa. Sempre teve bigode, o mesmo bigode imenso que parecia ir além do rosto. Nuns períodos o penteava de forma que as pontas curvassem para cima num deslizar plasticamente perfeito. Noutros deixava solto, natural, um amontoado de pelos sobre a boca. Ao nariz, um pince-nez ovalado. O relógio sempre no bolso do colete, a correia pendendo. Foi ficando mais miúdo com a idade e, no entanto, a cabeça grande, ... (Leia mais)

13 de Fevereiro de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Brasil, campeão da fragmentação partidária

Foi agora na quinta-feira. O novo presidente da Câmara dos Deputados, o alagoano Arthur Lira (PP), anunciou que pretende levar ao plenário uma nova proposta de emenda constitucional. Ele tem dois objetivos. Autorizar o retorno das coligações partidárias e flexibilizar a cláusula de barreira. Se aprovada uma emenda assim, pela segunda vez desde que a Constituição foi homologada a tentativa de domar o número de partidos no Brasil irá por água abaixo. Em 2018, deputados de 30 partidos foram eleitos para a Câmara. Eram 22 há dez anos, quando Dilma Rousseff chegou ao Planalto pela primeira vez. O número de legendas está diretamente ligado à qualidade de uma democracia — quanto mais, pior. E o Brasil tem um dos sistemas partidários mais fragmentados do mundo. Aliás, ainda antes de tudo começar a desandar em 2013, já havia cientistas políticos que olhavam para o número de partidos no país e temiam ... (Leia mais)

6 de Fevereiro de 2021 | PREMIUM

Edicão de sábado: Geopolítica da vacina, o novo jogo mundial

John Kennedy gostava de repetir uma lenda urbana linguística segundo a qual o ideograma chinês para “crise” juntava as palavras “risco” e “oportunidade”. Mesmo não sendo verdade, essa milenar sabedoria inventada está sendo levada a cabo pelos próprios chineses, pelos indianos e pelos russos. Apesar de serem, respectivamente, primeiro, segundo e nono países mais populosos do planeta, estão vendendo — e, em alguns casos, doando — vacinas e insumos para outras nações, mesmo mal tendo começado a imunizar seus próprios habitantes. Isso, claro, não se dá pela candura dos corações de Xi Jinping, Narenda Modi e Vladmir Putin. A ideia por trás dessa ação tem nome: a geopolítica da vacina. “A vacina é uma ótima ferramenta de política externa, de projeção de poder”, avalia Creomar de Souza, analista de risco da Consultoria Dharma e professor de cenários futuros da Fundação Dom Cabral. “O caso indiano, por exemplo, mostra uma estratégia ... (Leia mais)

30 de Janeiro de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Três presidentes da Câmara e o impeachment

É como se impeachment estivesse na moda. Embora o instrumento tivesse estado presente em todas as constituições brasileiras desde a primeira, em 1824, nunca havia se falado tanto de impeachment como naqueles primeiros anos da década de 1950. Talvez enfim tivesse se percebido nele uma possível arma política. Só em 1953, processos de impedimento de governadores foram avaliados pelas Assembleias Legislativas de Alagoas, contra Arnon de Mello, e do Rio Grande do Norte, contra Silvio Pedrosa. No ano seguinte, a Câmara Municipal de São Paulo estudou outro, contra o prefeito recém-eleito Jânio Quadros. Um vereador quis um exame que atestasse “sua sanidade mental”. Eram, em todos os casos, disputas políticas que não levaram a canto algum. O PSD alagoano contra o governo da UDN — e a UDN potiguar contra o governo do PSD. Ou então o grupo do velho capo paulista Adhemar de Barros que se insurgia contra aquele ... (Leia mais)