10 de Agosto de 2022 | PREMIUM

Meio Político: Nascimento, ascensão e domínio do Centrão

O próximo presidente da República terá, logo no primeiro mês de mandato, um desafio: é a eleição para presidente da Câmara dos Deputados. Arthur Lira é candidatíssimo e sua promessa para os parlamentares não é pequena. É manter o Orçamento Secreto. É manter, no Congresso Nacional, o controle de uma verba que em teoria o Executivo deveria comandar. Uma verba que dá autonomia ao Baixo Clero dos deputados, compra suas reeleições, e ao mesmo tempo impede que o governo possa direcionar dinheiro para onde é necessário. Caso as pesquisas se confirmem e Lula seja mesmo o novo ocupante do Planalto, o Centrão será uma ameaça concreta à governabilidade. A essa altura, não custa voltarmos atrás na história porque a palavra ‘Centrão’ engana. Ela representa sim, e há 35 anos, uma mesma força política dentro do Legislativo. Mas a forma como esta força se organiza mudou tanto neste arco do tempo ... (Leia mais)

6 de Agosto de 2022 | PREMIUM

Edição de Sábado: Olho nu

Pinceladas em tinta acrílica preta deixam seu olhar amendoado um tanto melancólico. A sobrancelha mais grossa do que é. O nariz quase inexistente. Seus traços são vigorosos, expressionistas. Pietra não está satisfeita com seu autorretrato no papel. Com as tintas, fica mais confortável captando outras mulheres. Ela mostra a tela com uma moça ruiva, cigarro em riste, forte. Suas musas na pintura são principalmente amigas, “mulheres que têm sua tristeza, que quase sempre não se veem da forma que são”. É uma obstinação de Pietra revelar alguma verdade das divas. A começar por sua própria. Na fotografia, sua arte primeira, a matéria-prima central é seu corpo. O erotismo. Mas, depois de mais de uma década dessa sexualidade contada pela lente alheia, ela agora se exibe a partir do próprio olhar. É soberana de sua imagem e história. Não é uma conquista banal, gratuita. O custo foram anos de incômodo com ... (Leia mais)

3 de Agosto de 2022 | PREMIUM

'A democracia é um regime de prontidão'

A ideia de um gigante poderoso deitado em berço esplêndido para representar o Brasil é evocada sempre que interessa a um determinado grupo chamar para si a responsabilidade de acordá-lo. “O gigante acordou” pode dar arrepios ou nostalgia, a depender dos olhos de quem lê. As manifestações de junho de 2013 e a forma como elas foram se transformando ao longo dos anos seguintes confundiram o senso do que é uma mobilização ampla e democrática. A história, porém, encontra meios de reencenar esses momentos de uníssono. De um som alto o suficiente não para acordar o tal gigante, que sequer tem conseguido dormir com seu estômago vazio. Mas para assustar e afastar aqueles que querem terminar por sufocá-lo. As cartas em defesa da democracia engendradas na última semana têm esse potencial. Gestadas e assinadas por nomes e entidades de imensa representatividade, elas foram capazes de unir sob o mesmo espectro ... (Leia mais)

30 de Julho de 2022 | PREMIUM

Edição de Sábado: O bicentenário roubado

Toda manhã, Epitácio Pessoa pedia aos cozinheiros do Palácio do Catete que lhe trouxessem um pouco de carne crua e um prato. Ele mesmo picava com uma faca, bem miúda, espalhava por cima então um pó medicinal e punha num canto da porta para sua cadelinha. Ninon. A bichinha viveu entre seus pés em todos os três anos e tanto de seu governo. Às vezes ficava animada que só, sobre as duas patas traseiras, apoiada nas pernas do dono. Viviam um caso de amor afetuoso, o presidente e Ninon. Mas Epitácio não era para ter chegado tão longe. Era paraibano, e na Primeira República os presidentes vinham de São Paulo ou de Minas. Era esse o acordo. E Epitácio já havia alcançado ao ápice da carreira mais de uma vez. Um dos mais importantes senadores e até ministro do Supremo Tribunal Federal. Só que Rodrigues Alves, o velho paulista eleito ... (Leia mais)

27 de Julho de 2022 | PREMIUM

As urnas como obstáculo ao golpe

Ao ter a candidatura à reeleição oficializada no último domingo, o presidente Jair Bolsonaro (PL) enfatizou seus ataques à Justiça – à Eleitoral em particular – e convocou seus apoiadores a tomarem as ruas no Sete de Setembro. Quer repetir, anabolizada, a jornada golpista do Dia da Independência do ano passado, quando a polícia do Distrito Federal impediu sete tentativas de invasão ao prédio do Supremo Tribunal Federal (STF). Dias antes, num movimento que provocou espanto entre diplomatas, convocou dezenas de embaixadores estrangeiros para fazer ataques infundados às urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral brasileiro. Nos bastidores, até aliados do presidente viram o gesto como um “discurso de derrota” que não faz efeito além da bolha de seus apoiadores fiéis. Olhadas em conjunto e à luz das pesquisas de intenção de voto, as ações de Bolsonaro pintam um quadro de deslegitimação do processo eleitoral a fim de contestar um resultado ... (Leia mais)

23 de Julho de 2022 | PREMIUM

Edição de Sábado: Planeta plástico

O mundo estava envaidecido com sua própria capacidade. Numa exibição internacional, num palácio de vidro e ferro com mais de 13 quilômetros de galerias no Hyde Park, em Londres, a humanidade celebrava suas mais recentes descobertas tecnológicas. Prensas hidráulicas, borracha indiana, a glorificação da Revolução Industrial. Esse era o clima no Crystal Palace em 1851, no evento que foi batizado de “A Grande Exposição das Obras da Indústria de Todas as Nações”. Mais de 6 milhões de pessoas compareceram ao palácio e testemunharam o nascimento do mundo moderno. Dentre elas, alguns nomes conhecidos como Charles Dickens, Charles Darwin, Karl Marx e Michael Faraday. O evento foi idealizado pelo Príncipe Albert, marido da Rainha Vitória, e foi inspirado nas exibições de Paris de 1798 e 1849. A rivalidade franco-inglesa se impôs e as exibições passaram a se alternar. Londres fez o Crystal Palace? Paris, em 1855, realizou a Exposição Universal na ... (Leia mais)

20 de Julho de 2022 | PREMIUM

A "teoria constitucional" do bolsonarismo

Como qualquer constitucionalismo autoritário, o constitucionalismo bolsonarista não se orienta pela doutrina do Estado de Direito, que é pautado por princípios como o da legalidade, irretroatividade da lei, publicidade e moralidade administrativa, e caracterizado por uma arquitetura institucional voltada para a contenção do arbítrio governativo, cujos pilares são a separação de poderes, os freios e contrapesos, o federalismo e o controle de constitucionalidade pelo Judiciário. Ao contrário. Herdeiro do absolutismo, o constitucionalismo autoritário se orienta pela velha doutrina da Razão de Estado, que preconiza a possibilidade de desrespeito à lei pelo governante sempre que ameaçado o valor supremo da “segurança nacional”. Naturalmente, é o próprio governante que aí ajuíza do grau de periculosidade da referida ameaça, tendendo invariavelmente a confundir a segurança da nação com a sua própria. Daí a busca incessante por juristas desfrutáveis, capazes de engendrar fórmulas jurídicas que lhes permitam escapar ao império da lei mediante interpretações ... (Leia mais)

16 de Julho de 2022 | PREMIUM

Edição de Sábado: Em busca da esperança perdida

No dia em que tomou posse como presidente da África do Sul, Nelson Mandela se apresentou de terno azul, camisa branca, lenço da mesma cor cuidadosamente posto no bolso. A gravata cinza, amarrou-a num Windsor duplo. Seu discurso não durou dez minutos e ele o leu de forma pausada, com o apoio dos óculos de aviador. Eram óculos de leitura mas preferia as armações com lentes grandes, tingidas num tom ocre que mantinham transparência mas o protegiam da luz. Durante seus 27 anos de prisão, trabalhou quebrando calcário, uma rocha sedimentar tão branca, que refletia o sol tão intensamente, de uma natureza química tão alcalina, que quando enfim deixou o cárcere estava gravemente fotofóbico e havia queimado as glândulas lacrimais a ponto de perder a capacidade de chorar. O líder sul-africano passaria o resto da vida com vermelhidão nos olhos e em busca de ambientes com penumbra. “Cada um de ... (Leia mais)

13 de Julho de 2022 | PREMIUM

É a emoção, estúpido!

É emoção. Nas redes sociais, o que pauta é a reação emocional. No mês de junho, a Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV/DAPP) mapeou, como de praxe, as interações dos presidenciáveis nas redes. E confirmou o que o sociólogo Marco Aurélio Ruediger, diretor do centro de pesquisa, conclui de cátedra: o teor emotivo das mensagens dos líderes nas pesquisas nas redes sociais é o centro da estratégia no ambiente virtual. A direita sacou isso bem antes. Construiu sua base inflamada calcada nisso. “Ela entendeu que as redes são assim, emocionais, e portanto todo o discurso era baseado não em grandes análises conjunturais, factuais, comparativas. A estratégia é de simplificar o discurso”, diz Ruediger. A esquerda, agora, corre atrás. Os riscos de se explorar um discurso puramente emocional no mundo algorítmico se materializaram em tragédia no fim de semana passado. Eventualmente, a emoção perpassa a tela. ... (Leia mais)

9 de Julho de 2022 | PREMIUM

Edição de Sábado: Nas trincheiras da guerra cultural

Na última terça-feira, o Congresso derrubou os vetos do presidente Jair Bolsonaro às leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc 2, irrigando o setor cultural com R$ 6,86 bilhões. A ira de bolsonaristas nas redes foi imediata. É um enredo previsível: culpam-se os “mamadores de recursos públicos”, artistas consagrados que recebem fortunas para fazer proselitismo político de esquerda — isso quando fazem arte, porque, a tomar como realidade o que dizem os posts das extrema-direita, a maior parte dos artistas simplesmente embolsa o dinheiro, sem pudores. Toda essa fantasia de Baile da Ilha Fiscal com o dinheiro público acontece, no delírio bolsonarista, enquanto os artistas de verdade, sejam os palhaços que soltam pum para o cidadão de bem gargalhar, os pintores que se esmeram para fazer quadros acadêmicos dentro das regras das belas artes anteriores às barbáries vanguardistas do século XIX e as almas elevadas que se dedicam ao sublime da ... (Leia mais)

6 de Julho de 2022 | PREMIUM

Os Tenentes de 1922, o Centrão de 2022

Há quem conte História como uma força movida pelo ímpeto de grandes líderes, aquelas personagens quase sobre-humanas pelo carisma, pela habilidade, pelo senso de tempo. Mas há outra forma de interpretar — a história das tecnologias, da economia, daquilo que de alguma forma afeta e move a sociedade. Hoje, dia 6 de julho, 2022, faz exatos cem anos que quatro tenentes lideraram um grupo de soldados em marcha pela Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em missão suicida para derrubar a Primeira República. Os Dezoito do Forte. Pois compreender o Tenentismo pelo ângulo da sociedade ajuda, muito, a compreender também o momento atual da política brasileira. Eram muitos os tenentes, mas eles todos viam em três seus principais líderes. Três homens que bem se adequariam à Teoria do Grande Homem, atribuída ao filósofo escocês Thomas Carlyle no século 19. Luís Carlos Prestes, Eduardo Gomes e Antônio de Siqueira Campos ... (Leia mais)

2 de Julho de 2022 | PREMIUM

Edição de Sábado: Ser mulher

Toda segunda-feira a equipe do Meio se reúne virtualmente e debate, de forma aberta e democrática, os temas mais relevantes do momento. A partir dessas discussões, definimos as pautas desta Edição de Sábado e, eventualmente, outros conteúdos do canal. O time é diverso. No quesito gênero, diametralmente equilibrado. Nas últimas semanas, com a revelação do caso da menina de Santa Catarina, da reversão do direito constitucional ao aborto nos Estados Unidos, da exposição da atriz Klara Castanho, do assédio do ex-presidente da Caixa Econômica Federal, a metade feminina da equipe demonstrava uma acentuada angústia — nem sempre vocalmente. Era uma espécie de constrição que condensava outra gama de sentimentos: do medo à raiva, da indignação à sororidade, do constrangimento à vontade de lutar. O opressor noticiário de casos de abuso sexual, assédio, agressões, perda de direitos, faz a simples condição de sermos mulheres ser, frequentemente, dolorosa. Optamos por promover uma ... (Leia mais)

29 de Junho de 2022 | PREMIUM

Bendito seja o fruto

Laicidade é liberdade. Em sua definição abrangente, um Estado laico é o que assegura a cada cidadão a liberdade para crer (ou não), cultuar (ou não) e se organizar (ou não) religiosamente. É o que garante que, em sua privacidade, o indivíduo possa ser o que quiser para que, no ambiente público, a todos os indivíduos seja dispensado o mesmo tratamento. A laicidade é o que afiança a pluralidade individual para sustentar a igualdade social. A laicidade está em perigo. Em 2017, o presidente Jair Bolsonaro, ainda em fase de amealhar seguidores e viabilizar sua candidatura, apelou à base religiosa e demonstrou seu desprezo pelo Estado laico. “Somos um país cristão. Não existe essa historinha de Estado laico, não. O Estado é cristão“, afirmou. E assim, afrontando a Constituição de 1988 que veda, em seu artigo 19, que União, Estados e municípios adotem uma crença particular, Bolsonaro se conduz. No ... (Leia mais)

25 de Junho de 2022 | PREMIUM

Edição de Sábado: A máquina que sente

Na cena que marca o clímax de Blade Runner, o filme icônico de Ridley Scott lançado em 1982, o policial caçador de androides fugidos Rick Deckard está pendurado por um pilar no alto de um arranha-céu quando é salvo por um dos robôs que perseguia. “É uma sensação forte viver em medo, não é?”, pergunta Roy Batty, o personagem de Rutger Hauer. Para o espectador, é a descoberta de que, sim, androides sentem. Batty tem programado em si o momento da morte. Um momento que se aproxima acelerado. “Vi coisas que vocês não acreditariam”, ele conta. Os androides, afinal, foram criados para trabalhar em mundos distantes que humanos não tolerariam. “Naves de ataque em chamas em Órion, vigas reluzentes no Portão de Tannhäuser.” O texto foi escrito pelo próprio Hauer, que o interpretou com emoção ímpar, discreta, citando lugares fictícios que soavam propositalmente alienígenas. Distantes. “Todos estes momentos se perderão ... (Leia mais)

22 de Junho de 2022 | PREMIUM

A “teoria democrática” do bolsonarismo

No dia 31 de maio deste ano, em discurso em Jataí (GO), o presidente Jair Bolsonaro reafirmou que os “cidadãos de bem” precisavam se armar para “defender a pátria”. Uma tentativa de fraudar as eleições de 2022 viria sendo armada pelo Poder Judiciário, justificando a fiscalização do processo eleitoral pelas Forças Armadas. Em um aparente paradoxo, o ataque do presidente às instituições foi apresentado como se se tratasse de uma defesa da democracia. “Somos um povo livre e tudo faremos para que o povo continue livre, apesar da tentativa de alguns para mudar nosso regime. Nosso regime é o democrático”, declarou o presidente. O mesmo acontece em relação à Constituição. Os continuados ataques de Bolsonaro aos demais poderes são sempre apresentados como constitucionais. Em entrevista recente à jornalista Leda Nagle, Bolsonaro criticou o Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição, por agente da inconstitucionalidade: “Há muito tempo eles estão fora das ... (Leia mais)

18 de Junho de 2022 | PREMIUM

Edição de Sábado: Voto arco-íris

Colocar à frente. Apresentar-se. Exprimir-se em seu nome. Representar é posicionar pessoas em espaços que, até então, elas não ocupavam e promover a defesa de seus direitos. Amanhã, depois de dois anos de hiato pandêmico, a Parada do Orgulho LBGT+ de São Paulo — que já entrou para o Guiness como a maior do mundo — desfilará cores, amores e a luta por respeito, dignidade e pela representatividade política. No ano das eleições mais críticas da Nova República, o tema é a importância do voto. (O Meio usará a sigla LGBTQIA+ e traz no fim da reportagem um glossário com alguns dos termos usados no texto. Aqui, um link com outras definições e um manual completo de comunicação sobre o tema. Mantemos, porém, o título oficial da Parada, que usa uma versão reduzida da sigla.) “Além da volta, existe a revolta. As pessoas querem ir para a rua gritar junto ... (Leia mais)

15 de Junho de 2022 | PREMIUM

Meio Político: Verde-desesperança

Carlos Nobre é uma vastidão de cientista. Seus muitos títulos, que vão de engenheiro eletrônico a climatologista, culminam na eleição recente como membro estrangeiro da Royal Society, mais antiga academia de ciência em atividade no mundo. Só um outro brasileiro havia sido aceito na entidade antes dele: Dom Pedro II. Carlos Nobre não é um cientista político. Mas conhece política ambiental e científica como poucos. Em parte, pelos cargos que ocupou. Entre 2011 e 2014, foi secretário nacional de Políticas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D;) do Ministério da Ciência e Tecnologia; e, entre 2015 e 2016, presidente da Agência Federal de Pós-Graduação (Capes) do Brasil. Mas também pelo objeto de pesquisa de sua carreira de mais de 40 anos: as potencialidades da Amazônia. Nobre assiste, desolado, ao desmonte atual das espinhas de política pública para a região. “Nós regredimos basicamente 50 anos”, lamenta. Três décadas atrás, o Brasil hospedava a ... (Leia mais)

11 de Junho de 2022 | PREMIUM

Edição de Sábado: Marcha lenta

Às 16h20 de hoje, um clamor reprimido desde o começo da pandemia do coronavírus em 2020 vai voltar a soar na avenida Paulista: “Ei, polícia, maconha é uma delícia” é grito de guerra a embalar a Marcha da Maconha, que vai sair do vão livre do Masp em direção à Praça da República em São Paulo. Se seguir o roteiro das últimas marchas pré-pandemia na cidade, deve levar mais de 100 mil pessoas às ruas. Bem mais gente que as cerca de 500 pessoas que estiveram na primeira Marcha da Maconha brasileira, que saiu da igreja de Nossa Senhora da Paz e foi até o Posto 9, no Rio de Janeiro, ganhando os aplausos de uma Ipanema que ainda tinha alma boêmia em 2002. Nesses 20 anos de marchas da maconha pelo país, as mudanças vão muito além do número de participantes. Em 2002, a luta contra a proibição da ... (Leia mais)

8 de Junho de 2022 | PREMIUM

Falta um partido popular de direita

É cedo para afirmar que Jair Bolsonaro deixará a presidência da República quando o ano virar para 2023 — as urnas só fecham no segundo turno em 30 de outubro — mas este é o cenário mais provável. O bolsonarismo, porém, não vai acabar. Tanto Ipec quanto Datafolha identificaram que uns 30% dos brasileiros abraçam valores claramente de direita. São ultraconservadores quando definem casamento, radicalmente contra o aborto, favoráveis à facilitação do acesso a armas, veem com simpatia o encontro entre religião e política. É uma peculiaridade desta nossa Terceira República, inaugurada pela Constituição de 1988, que jamais tenhamos tido um partido forte de direita. Mas isso não quer dizer que o eleitorado não exista. Nos últimos anos, justamente porque não havia um partido assim, estes brasileiros se congregaram no entorno de um líder populista e carismático. O que acontecerá quando Bolsonaro deixar o poder com estes seus eleitores? Nos ... (Leia mais)

4 de Junho de 2022 | PREMIUM

Edição de Sábado: O meritíssimo algoritmo

O que você consegue fazer em 60 segundos? Conseguimos dizer, por certo, o que você não consegue: formar uma opinião crítica, informada e sóbria sobre um caso de difamação, tornado em referendo sobre violência doméstica e relacionamentos abusivos, que durou seis semanas. Mas talvez seja capaz de, ao ver um trecho de depoimento, uma revirada de olhos, ouvir uma única frase extraída de horas de relato, escolher um lado, eleger um culpado e uma vítima e lhes atribuir, no tribunal das redes sociais, uma condenação ou a redenção. Johnny Christopher Depp II é uma dessas figuras de Hollywood que poderiam ilustrar o termo ‘estrela’ num almanaque. Dono de uma extravagância fascinante, carismático e belo, Depp estourou com Anjos da Lei e interpretou personagens memoráveis, como Edward (Edward Mãos de Tesoura), Don Juan (Don Juan de Marco), Donnie Brasco, Raoul Duke (Medo e Delírio), Willy Wonka (A Fantástica Fábrica de Chocolate) ... (Leia mais)