18 de Setembro de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: De que Estado precisamos?

A partir de 2023, se tudo ocorrer como as pesquisas indicam, o Brasil terá um novo governo e uma Democracia por recuperar. É inevitável que um diálogo seja aberto de uma ponta à outra no arco político, e para isso é necessário mapear o que há de comum — e onde há discussão — a respeito das ideias de país. Foi com este objetivo, ao longo desta última semana, que o grupo apartidário Derrubando Muros promoveu seis painéis com um título provocador. De que Estado precisamos? Para eles foram convocados economistas, advogados, cientistas políticos. Vozes que representam uma possível candidatura liberal, mas também as candidaturas postas de Ciro Gomes (PDT) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Há alguns consensos entre todos. Mas há também debates importantes. O Meio transmitiu pelo YouTube cada um destes painéis, que podem ser assistidos individualmente. Nesta edição de Sábado publicamos não propriamente um resumo, ... (Leia mais)

11 de Setembro de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Bolsonaro e os futuros possíveis

Se há um tabuleiro confuso, no momento, é o da política brasileira. A turbulência que se abateu no país esta semana deixou o jogo desorganizado e incerto. Mas, se deixou dúvidas, trouxe também algumas respostas a muitas angústias que pairavam. No Sete de Setembro, após mais de um mês de preparação, o presidente Jair Bolsonaro conseguiu levar uma multidão à Avenida Paulista. Foi menos gente do que ele esperava — mas foi mais gente do que em qualquer mobilização anti-Bolsonaro até este momento. Enquanto esquerda e direita seguirem separadas, dificilmente virá das ruas pressão suficiente para produzir um impeachment. (Esta divisão não é acidental. Mais à frente.) Bolsonaro tentou mobilizar dois grupos em particular que seriam importantes para seus planos. Um deles foi o dos policiais militares. Outro, os caminhoneiros. Na noite de segunda-feira, parecia que ele fracassaria com caminhoneiros e teria sucesso com PMs. Foi o contrário. O esforço ... (Leia mais)

4 de Setembro de 2021 | PREMIUM

Edicão de sábado: 04 de Setembro

A história do século 20, em boa parte do mundo, é uma na qual a agropecuária vai lentamente perdendo importância na economia dos países. Não foi diferente com o Brasil — até que mudou, em 1993. Em 1992, ano em que Fernando Collor deixou a presidência, a agropecuária não chegava a 6% de toda riqueza produzida no país. Dez anos depois já havia quase dobrado. Quando Fernando Henrique subiu a rampa do Planalto pela primeira vez, em 1994, o agro não gerava R$ 40 bilhões por ano, inflação corrigida. Em 2019, segundo números do Cepea, produziu R$ 322 bilhões. Por todo o governo Jair Bolsonaro, constantemente o agro aparece como um setor de apoio ao presidente. Um ambiente no qual, caricaturalmente, os ímpetos autoritários e a aversão à ciência parecem ser dominantes. Sua explosão como negócio, porém, é justamente um dos marcos de sucesso da República democrática nascida dos frangalhos ... (Leia mais)

28 de Agosto de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Um integralista não corre, voa

O domingo, 7 de outubro, em 1934, amanheceu com um céu azul de primavera em São Paulo. Nas semanas anteriores, panfletos diversos circularam pela capital convocando sindicalistas, anarquistas, socialistas, comunistas, gente que se identificasse como de esquerda num geral para ocupar a Praça da Sé. “As organizações convidam toda a população a responderem com uma potente manifestação antifascista”, dizia um. “Ao proletariado e a todo o povo oprimido”, começava outro. Mas, com temor do embate que poderia se dar, o governo paulista negou à esquerda licença para se manifestar naquele dia. Porque o movimento não surgiu do nada — para aquele dia 7 estava sendo convocada, também, outra passeata. Ou, melhor: uma marcha. Igualmente, na Praça da Sé. A Ação Integralista Brasileira, movimento fascista liderado pelo escritor Plínio Salgado, queria dar uma demonstração de força. Queria mostrar ao Brasil o tamanho da AIB. E pessoas já vinham chegando de trem ... (Leia mais)

21 de Agosto de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Afeganistão, cemitério de impérios

No ano de 1901, explodiu como best-seller nas livrarias londrinas Kim, um pequeno romance adolescente de Rudyard Kipling. A rainha Vitória havia morrido fazia meses, o Império Britânico estava próximo do fim, mas isso ainda não era óbvio. Como Mowgli, o menino lobo, seu personagem anterior de sucesso equivalente, Kipling fez de Kim um rapaz esperto e atento, capaz de livrar-se de toda sorte de desventuras, mas fundamentalmente preso entre dois mundos. Não era, porém, entre o mundo animal e o humano. Desta vez, era entre Oriente e Ocidente. Menino órfão e muito pobre zanzando pelas ruas de Lahore, no atual Paquistão, Kim era filho de pai irlandês e mãe inglesa, mas tão queimado de Sol e falava a língua local com tanta fluência que ninguém o percebia como branco. Parecia mais um dos patanes, uma das etnias comuns à região, e esta sua ambiguidade étnica logo se mostraria útil ... (Leia mais)

14 de Agosto de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Seis golpes militares e um que fracassou

De tempos em tempos, fechados em seus gabinetes, generais do Exército concluem que têm o direito de decidir quem governará o Brasil. De 1889 para cá, aconteceu mais de uma dezena de vezes. Em seis delas, os oficiais tiveram sucesso. Esta é a história de cada um destes seis golpes de Estado. E de um que fracassou. 1889 O marechal Deodoro da Fonseca estava doente, tomado por uma crise asmática, na manhã de 15 de novembro, em 1889. Ainda assim sua casa foi tomada por militantes republicanos que o puseram num coche. Deodoro, de mau humor. Ao chegar ao Campo de Santana, onde trabalhava o primeiro-ministro, visconde do Ouro Preto, Deodoro deixou a carruagem, montou a cavalo, entrou no palácio, derrubou o premiê dizendo poucas palavras e voltou para casa onde se trancou sem querer receber mais ninguém. Em momento algum deixou claro se havia derrubado só o gabinete ou ... (Leia mais)

7 de Agosto de 2021 | PREMIUM

Edição de sábado: As eleições numa encruzilhada

As autobahnen alemãs estão entre as rodovias mais modernas e seguras do mundo, daquelas para você voar baixo num carro elétrico de última geração e chegar logo ao seu destino. Agora imagine percorrê-la num calhambeque detonado, com os freios sabotados e o tanque cheio de etanol batizado de um posto sem bandeira? Por mais doida que a analogia pareça, é mais ou menos o que parte do Congresso pretende fazer com o sistema eleitoral brasileiro. Usamos há um quarto de século um mecanismo de votação eletrônico altamente confiável e em constante aprimoramento, mas tramitam na Câmara e no Senado projetos de reforma eleitoral com potencial de promover retrocessos em diversas conquistas recentes de nossa democracia. Embora não conste do texto atual da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da reforma política na Câmara, partidos articulam emendas que flexibilizam ou eliminam a cláusula de barreira e o fim das coligações proporcionais, enquanto ... (Leia mais)

31 de Julho de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: A Era do Burnout

Não é difícil definir burnout. O psicanalista britânico Josh Cohen, colaborador da 1843, revista irmã da Economist, descreveu a síndrome a partir de um caso que atendeu. “Notas excelentes desde a infância, capitão do time de beisebol, bolsa de estudos nas melhores universidades”, assim havia sido Steve, executivo americano em um banco multinacional, alocado em Paris. “Trabalhou na aquisição de companhias com a mesma maestria que demonstrou em suas conquistas acadêmicas e esportivas, até perceber que estava perdendo a concentração no trabalho, movido por um desejo intenso de ir para casa e dormir. Um dia, quando seu despertador tocou às 5h30, ao invés de se levantar, desligou o alarme e lá ficou. Olhando para a parede. Certo apenas de que não iria para o escritório. Após seis horas oscilando entre o sono sem sonhos e um acordar em branco, botou a roupa de ginástica, foi até a loja de conveniências ... (Leia mais)

24 de Julho de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: E a Direita da Ditadura Renasceu

Quem olha para a bagunça em que se tornou o sistema partidário brasileiro, tão fragmentado que chega a parecer não ter lógica, muitas vezes se perde. Termos que se tornaram recorrentes — como Centrão — atrapalham ainda mais a compreensão do jogo político em curso. O nome atrapalha porque, no atual acordo entre o Centrão e o governo de Jair Bolsonaro, há um processo em curso que é diferente do que ocorreu nos governos Fernando Henrique, Lula, Dilma ou mesmo Temer. Está em curso a reestruturação da Velha Direita. Da aliança política que sustentou a Ditadura Militar. E um pouco de história ajuda a revelar este processo. Logo após tomarem o poder a força, em 1964, os militares se puseram a baixar uma sequência de leis, que batizaram atos institucionais, e que em essência estavam acima da Constituição. O primeiro serviu para instaurar o novo governo — que muitos ainda ... (Leia mais)

17 de Julho de 2021 | PREMIUM

Edicão de sábado: Cuba por conta própria

Uma parceria inusitada, a Covid-19 e a internet, conseguiu o que parecia impossível: levar cubanos em grande número às ruas para protestar contra o regime. Fidel tiraria isso de letra. Repressão, um longo discurso evocando o espírito revolucionário do povo cubano e ressaltando as reais conquistas sociais do regime, e tudo bem. Mas Fidel pertence à História. Em seu lugar está Miguel Díaz-Canel, um burocrata com o carisma de um cone de trânsito. Será ele capaz de manter vivo um sistema que muitos juravam morto há trinta anos? Para quem é novo ou tem pouca memória, em 1991, após uma fracassada tentativa de golpe por parte da ala conservadora do Partido Comunista, a União Soviética foi dissolvida, substituída inicialmente pela Federação Russa, mas já sem o domínio do PC. Com ela, foi-se o Comecon, o Conselho para Assistência Econômica Mútua, uma estrutura pela qual a URSS apoiava economias de países ... (Leia mais)

10 de Julho de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Se Gritar Pega Centrão

Num vídeo que vem circulando nas redes e zaps nos últimos meses, o general Augusto Heleno pega o microfone e canta. “Se gritar pega Centrão”, entoa substituindo o ‘ladrão’ da letra original, “não fica um meu irmão.” Era 2018 e o hoje ministro do Gabinete de Segurança Institucional estava na animada convenção do PSL que fez de Jair Bolsonaro candidato à Presidência. Há muitos símbolos na cena. O primeiro, evidentemente, é o da contradição. Em meio a uma crise cada vez maior, o Bolsonaro eleito presidente depende cada vez mais do mesmo Centrão. Sem este apoio, cai. Mas há outro símbolo igualmente importante. Está no olhar: na compreensão do corrupto. Como se a corrupção nascesse do caráter de um certo grupo. Como se ali estivesse uma mensagem subentendida: governo com Centrão será corrupto; governo com militares disciplinados será honesto. É tão simbólico quanto irônico. Afinal, indicados do Centrão e seis ... (Leia mais)

3 de Julho de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: A difícil arte de virar votos bolsonaristas

Tudo que é sólido se desmancha no ar. Será? Quem acompanha o Brasil de 2021 pode duvidar da eficácia do conceito cunhado por Karl Marx e Friedrich Engels em 1848, no celebrado (por alguns execrado) Manifesto Comunista. Os 23% de brasileiros que pretendem votar no presidente Jair Bolsonaro em 2022, segundo a última pesquisa do Ipec, publicada em junho, deixam claro que o bolsonarismo raiz parece sólido e muito distante de se desmanchar no ar. Mas atenção. Dizem os especialistas que há caminhos para atingir o núcleo duro de fiéis seguidores do presidente e, quem sabe, virar votos. Primeiro passo: ser mais flexível e exercer a tolerância e a escuta. “Precisamos buscar aquele parente ou amigo com quem a gente brigou por causa das divergências políticas e falar: em vez de ficar aqui discutindo, vamos sentar e pensar no que é melhor para o país?”, propõe o neurocientista Sidarta Ribeiro, ... (Leia mais)

26 de Junho de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: O Impeachment, o Congresso de Ontem e o de Hoje

A senadora Simone Tebet nem percebeu, no primeiro momento, quando em depoimento à CPI da Covid o deputado Luís Miranda enfim entregou o nome. Vale assistir à cena. Ele já havia mais de uma vez detalhado, em respostas aos senadores, o diálogo que travou com o presidente Jair Bolsonaro. “Não me recordo do nome do parlamentar, mas ele até citou um nome: ‘Isso é coisa do fulano’”, Miranda havia narrado umas horas antes. Se o depoimento do deputado é verdadeiro, o presidente da República afirmou com clareza. Ele sabia que um parlamentar de sua base articulava para fazer a venda intermediada de uma vacina que sequer fora aprovada pela Anvisa. Cujo preço era mais alto do que o de todas as outras. “Vou acionar o DG da Polícia Federal”, teria lhe dito Bolsonaro. Não acionou o diretor-geral. Mas Miranda ia já, um interrogatório após o outro, se escondendo por trás ... (Leia mais)

19 de Junho de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: A visão do futuro espacial de três bilionários

Jeff Bezos, o fundador da Amazon, tem uma visão para o espaço: cilindros que orbitam a Terra. Cilindros gigantescos e transparentes que giram rapidamente no entorno de seu eixo central para simular gravidade. Dentro deles, terras e rios, matas, cidades, fazendas, fábricas. Cada um seria o que Bezos chama colônias de O’Neill, inspiradas por ideias do físico Gerard O’Neill. Nos anos 1970, o professor da Universidade de Princeton defendia que, para vivermos no espaço, estruturas artificiais na órbita seriam mais adequadas do que outros planetas. “Estas colônias teriam o clima de Maui em seus melhores dias durante o ano todo”, explicou Bezos numa conferência, em 2019. “Não haveria chuva ou terremotos, as pessoas vão querer morar lá.” (Assista a um vídeo.) O plano, evidentemente, não é um que ele espera ver concretizado durante sua vida. Seu plano para a Blue Origin, a companhia espacial que fundou e o levará em ... (Leia mais)

12 de Junho de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Como desmontar um golpe de Estado

No último dia 6 de janeiro, o Congresso americano se reuniu para homologar a eleição presidencial que havia designado Joe Biden sucessor de Donald Trump na Casa Branca. Enquanto os parlamentares trabalhavam, em frente à residência presidencial Trump discursava perante um grande grupo de seguidores. “Nós vamos descer a Pennsylvania Avenue”, ditou o presidente, “e tentaremos dar aos republicanos fracos, porque os fortes não precisam de ajuda, vamos tentar dar a eles o tipo de orgulho e bravura que precisam ter para tomar de volta nosso país.” A Pennsylvania, que corta transversalmente quase toda a cidade de Washington, liga a Casa Branca ao Capitólio, o prédio do Parlamento, três quilômetros distante, não mais que meia hora de caminhada. Desde semanas antes, grupos paramilitares radicalizados e favoráveis a Trump vinham já planejando uma invasão do prédio. Com o incentivo do presidente em seus últimos dias, a eles se juntou uma multidão ... (Leia mais)

5 de Junho de 2021 | PREMIUM

Edicão de sábado: A tragédia da Covid na saúde mental dos jovens indígenas

Como você se sentiria se uma catástrofe destruísse as escolas, as bibliotecas, os museus, os arquivos, tudo aquilo que nos liga a nosso passado? Pois foi exatamente o que a Covid-19 fez a comunidades indígenas ao ceifar os anciãos. E as vítimas não foram apenas os que morreram, mas também os jovens, privados de suas referências, suas interações sociais, seus rituais e tantos outros elementos de seu cotidiano. A pandemia é como um malho que cai mais pesado sobre os mais vulneráveis. Como isso afetou seu bem-estar mental, só os próprios jovens poderiam dizer. Para isso, entre novembro de 2020 e janeiro deste ano, 533 indígenas entre 15 e 22 anos de oito regiões do território amazônico ganharam voz no projeto Saúde mental de populações indígenas na Amazônia brasileira no contexto da Covid-19, uma parceria entre o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Instituto Leônidas e Maria ... (Leia mais)

29 de Maio de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: A Sociedade do Espetáculo e Bolsonaro

Não era algo que boa parte dos analistas esperasse. Mas a CPI da Covid mais que dobrou a audiência da TV Senado na tela grande — e isto não conta o público via internet. As transmissões alavancaram a GloboNews a líder em audiência no cabo e a CNN Brasil teve, também, considerável aumento. Acabou o Big Brother Brasil, a CPI virou a nova campeã de audiência, o novo entretenimento do brasileiro. Ao primeiro olhar pode parecer um espetáculo monótono. Cativa, porém, e principalmente explica. Faz entender como, quando e por que o Palácio do Planalto fez campanha contra o combate à pior pandemia em um século. Os resultados desta audiência já começam a se mostrar nas pesquisas. Números do PoderData indicam que 67% dos brasileiros estão acompanhando os trabalhos da comissão. E 62% desejam o impeachment do presidente. Este número nunca foi tão alto. Isto num país em que 97% ... (Leia mais)

22 de Maio de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: A mentira do populista dá credibilidade

O Flow podcast é um dos mais badalados programas digitais de debate da internet brasileira. De segunda a sexta-feira, exibido a partir das 20h, quando os dois apresentadores se reúnem ao redor da mesa para uma longa conversa com convidados. E, na semana passada, um trecho destes debates explodiu. Se tornou um dos mais badalados assuntos das redes sociais. Enquanto isso, na CPI da Covid, o general Eduardo Pazuello se tornava o terceiro ex-ministro do governo Jair Bolsonaro a sentar perante os senadores e mentir. Mentir, inclusive, a respeito de momentos gravados em vídeo. Facilmente desmontáveis. No Flow, o confronto foi entre Gabriela Prioli, comentarista da CNN Brasil, e um dos apresentadores. Bruno ‘Monark’ Aiub. Monark vinha falando sobre educação no Brasil quando Gabriela questionou suas premissas. “Isso é muito chato”, ele reclamou. “Não poder conversar, falar sobre o que penso porque não tenho números e estatísticas.” Já não era ... (Leia mais)

15 de Maio de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: O método Netanyahu de governar

Sheikh Jarrah, um bairro muçulmano em Jerusalém Oriental, começou a ser povoado na segunda metade do século 19 bem próximo do túmulo de Hussam al-Din al-Jarrahi, médico particular de Nácer Saladim, o sultão de Egito e Síria que venceu os cruzados do rei Ricardo Coração de Leão. Faz tempo — foi na década de 1170. Mas o nome de al-Jarrahi se tornou nome do bairro. Sheikh Jarrah. Ao menos, o nome para alguns. Não longe dali fica outro túmulo, o de Simão, o Justo, sumo-sacerdote do Segundo Templo duzentos ou trezentos anos antes de Cristo — a data não é certa. Para muitos judeus, principalmente religiosos, o bairro tem este nome. Simão, o Justo. Shimon HaTzadik. Quando o casario começou a subir, entre os anos de 1860 e 70, judeus e árabes moravam lado a lado. Muito aconteceu desde então. Em sua curta história numa cidade de quatro mil anos, ... (Leia mais)

8 de Maio de 2021 | PREMIUM

Edição de sábado: A aposta na polícia que mata

Na última quinta-feira, uma operação da Polícia Civil do Rio na favela do Jacarezinho terminou com 28 mortos – um policial e 27 “suspeitos”. Para o ministro do STF Edson Fachin, há indícios de execução arbitrária, e a PGR suspeita de desrespeito a uma ordem do Supremo contra ações desse tipo. Já o vice-presidente Hamilton Mourão se apressou em afirmar que os civis mortos “eram criminosos”. A questão é que a polícia fluminense nunca havia matado tantas pessoas de uma única vez, embora ações com a contagem de corpos na casa das dezenas sejam registradas há décadas. Desde 1998, uma pessoa morre nas mãos da polícia, em média, a cada dez horas. Isso é uma política de segurança? Mais, isso traz resultados positivos? Ambas as respostas são não, segundo Melina Risso, diretora de Programas do Instituto Igarapé, doutora em Administração Pública pela FGV e coautora de Segurança Pública para Virar ... (Leia mais)