27 de Novembro de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: A Alemanha quer Reinventar a Esquerda

A Alemanha é parlamentarista — o Poder Executivo, o conjunto de pessoas que governa, sai do Bundestag, equivalente à Câmara dos Deputados brasileira. Assim, a cada ciclo eleitoral, quando os deputados são eleitos, o partido com mais cadeiras é convidado a se juntar com outras legendas de forma que, numa coalizão, tenham pelo menos metade mais um dos votos. Não é uma arte simples compor assim — na Alemanha, não tem Centrão. Cada partido tem seu programa escrito, uma visão prática de como sua ideologia se aplica na hora de governar. Assim, a coalizão nasce de um novo programa de governo com o qual todos concordem, que de alguma forma misture os projetos de quem a compõe. Na semana que começa em 6 de dezembro, o advogado Olaf Scholz substituirá a premiê Angela Merkel que está há 16 anos no comando do governo alemão. A aliança de seu Partido Social ... (Leia mais)

20 de Novembro de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Após a Pandemia

A pandemia vai passar. Houve diversas ao longo da História, e elas passaram, fosse por melhores condições de saúde e higiene, pelo desenvolvimento de vacinas e remédios ou por ações de contenção. Mas o fim da pandemia significa que vamos nos livrar da covid-19 e de seu causador, o vírus sars-cov-2? Muito provavelmente não, na opinião de Carlos Machado, coordenador do Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Para o especialista, a probabilidade de o vírus continuar circulando mesmo após o fim da pandemia é muito alta, entre outros motivos, porque as vacinas – ainda a mais importante e eficaz ferramenta contra a doença – não o eliminam nem impedem completamente sua transmissão. “O que as vacinas fazem, e isso é muito importante, é reduzir de forma acentuada os sintomas mais graves e os óbitos pela doença, embora eles eventualmente possam ocorrer”, diz Machado. “Por isso, e porque a eficácia ... (Leia mais)

13 de Novembro de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: A montanha-russa política do Chile

Na última pesquisa realizada no Chile pela Atlas Inteligência, o candidato de extrema-direita José Antonio Kast apareceu liderando a corrida para as eleições do próximo dia 21 de novembro, com 30,1% das intenções de voto. No início de setembro, há apenas dois meses, tinha dificuldades de encostar nos dez pontos percentuais. Kast, o filho caçula de um oficial nazista que chegou fugido ao país nos anos 1940, vem sendo tratado na imprensa latino-americana como o ‘Bolsonaro chileno’. Sua repentina ascensão é uma surpresa que boa parte dos cientistas políticos não anteviram — mas é, também, sintoma de um país que se dividiu profundamente desde 2019, quando as ruas da capital Santiago entraram em convulsão social. As forças políticas se espatifaram e então se rearranjaram bem mais do que uma vez nos últimos dois anos, desfazendo e criando alianças que levassem a algum sentido ideológico e que ao mesmo tempo fossem ... (Leia mais)

6 de Novembro de 2021 | PREMIUM

Edicão de sábado: Barreiras culturais ao meio ambiente

No domingo passado, quando começou em Glasgow, na Escócia, a conferência da ONU sobre mudanças climáticas (COP26), a expectativa, ou melhor, a esperança mais otimista era que o Brasil não passasse muita vergonha. Afinal, o país chegava ao encontro na condição de vilão ambiental, numa inversão de papéis que, aliás, já havia sido tratada aqui mesmo no Meio. Ao contrário de praticamente todo o planeta, o Brasil aumentou em 9,5% suas emissões de carbono em 2020 e chegou a Glasgow propondo aumentar as emissões, não reduzi-las. Portanto, qual não foi a surpresa quando o país aderiu a dois acordos que vão na contramão de todas as políticas adotadas ao longo do governo Bolsonaro: a redução em 30% da emissão de metano até 2030 e a eliminação do desmatamento até o mesmo ano. É verdade que os acordos não preveem punições, e o de metano não estabelece metas por países. Mas ... (Leia mais)

30 de Outubro de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: 2021: o ano em que os golpes voltaram

Nos últimos anos nos acostumamos a formular o raciocínio de que golpes de Estado não ocorrem mais — ao menos, não de acordo com sua formulação clássica, de interrupção brusca e violenta do poder constitucional. Mesmo quem trata o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 2016, como golpe argumenta justamente isso: hoje, golpes se disfarçam. O argumento se sustenta por números. Houve, em todo o mundo, um golpe de Estado durante 2020. Em 2019, foram dois. Em 18, nenhum. Em 17, um. Em 16, nenhum. Em 2015, dois. Já ocorreram, neste ano de 2021, sete golpes de Estado. Há duas décadas o número não era tão grande — em 2000 também houve sete golpes de Estado, e todos eles fracassaram. Não conseguiram impor governo. Dentre os golpes deste ano, apenas dois fracassaram. E, assim, é importante perguntar: algo mudou? Os golpes estão de volta? Principalmente devemos nos perguntar se o ... (Leia mais)

23 de Outubro de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Quando a Ciência era Pop

O cientista interpretado pelo ator Kevin McCarthy em Invasion of the Body Snatchers (trailer), de 1956, não veste jaleco ou fuma cachimbo como era o estereótipo deste tipo de personagem no cinema daquele tempo. Ainda assim, o filme que no Brasil saiu com o título Vampiros de Almas é um clássico do cinema B de ficção-científica e, na maneira como foi construído, nos temas que toca, traz em si a essência do gênero naquela que foi sua era de ouro. Esta semana chegou aos cinemas a nova adaptação de Duna (trailer), baseado no romance lançado por Frank Herbert em 1965. Em setembro estreou na Apple TV+ a série Fundação (trailer), a primeira adaptação audiovisual da trilogia de Isaac Asimov, publicada entre 1942 e 50. Estas duas estreias são um convite para entender o tempo em que surgiram, um de completo fascínio pela ciência, e o tempo em que vivemos no ... (Leia mais)

16 de Outubro de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: A Globalização Quebrou

O meme circulou faz uma ou duas semanas no Reino Unido — o premiê Boris Johnson liga para a rainha Elizabeth II e pergunta, como quem não quer nada. “A senhora dirigiu caminhões durante a Guerra, não?” Elizabeth II trabalhou de fato, no esforço de Guerra, como mecânica de caminhões. E Johnson está desesperado atrás de motoristas para a frota — há, na Grã Bretanha, 100 mil vagas abertas com ninguém que deseje preenche-las. O governo abriu um programa de vistos temporários para atrair motoristas principalmente do Leste Europeu. Após duas semanas apareceram vinte candidatos. O resultado mais visível da crise são as longas filas de carros para abastecer nos postos de combustível. Derivados de petróleo estão em falta. Mas não é só lá. Em agosto havia 40 navios cargueiros na fila para descarregar no maior porto dos Estados Unidos, o de Los Angeles e Long Beach. Em setembro já ... (Leia mais)

9 de Outubro de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: O ódio que o Facebook espalha

O discurso poderia ser de um nazista contra judeus — mas quem o faz em nada parece com um nazista. O monge Wiseitta Biwuntha, mais conhecido por Wirarthu, tem os olhos amendoados, a pele corada tão comum no Sudeste Asiático e a cabeça completamente raspada. Sempre que está em público, veste a roupa típica dos budistas teravada — dhonka e shemdap, que juntos parecem um manto só dum vermelho escuro, quase vinho. Pela aparência, não destoaria se estivesse ao lado o Dalai Lama. Mas não pelo discurso. “Se você comprar de uma loja de muçulmano”, Wirarthu afirma, “o dinheiro não para ali. Este dinheiro, ao fim, será gasto para destruir nossa raça a religião. Esse dinheiro será usado para atrair mulheres budistas e força-las a se converter ao Islã e, quando os muçulmanos tiverem população maior, vão nos engolir, tomar o poder em nosso país e transformá-lo numa nação demoníaca ... (Leia mais)

2 de Outubro de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Quando se experimenta com pessoas

Peter Buxton era jovem — tinha 27 anos, quase 28. Um sujeito mais para conservador, o cabelo bem curto, não raro vestia um terno cinza. Um burocrata. Havia nascido em Praga, mas os pais, judeus, se mudaram ainda antes de 1940 para San Francisco, na Califórnia, onde Buxton se criou. Cresceu ouvindo as histórias das atrocidades nazistas, todas elas. Histórias das quais escapou. Naquela segunda metade dos anos 1960, a cidade onde havia se criado estava explodindo com a contracultura hippie. Mas isso não era para Buxton. Podia ser jovem, porém era daquele tipo mais metódico e talvez por estas características pessoais fosse bom no que fazia. Seu trabalho era encontrar gente para o Sistema de Saúde Pública dos EUA. Gente com sífilis. Seus dias no escritório começavam com uma olhada no escaninho. Quando algum homem ia parar num hospital da cidade com a doença, traçadores como ele eram envolvidos. ... (Leia mais)

25 de Setembro de 2021 | PREMIUM

Edicão de sábado: Partidos cada vez mais partidos

Registrado na Justiça Eleitoral em 2015, o Partido Novo só entrou para valer no cenário nas eleições gerais de 2018, quando lançou João Amoêdo candidato à Presidência e elegeu oito deputados federais – fora um governador e 13 legisladores estaduais que não estão no foco aqui. Eis que, três anos depois, a legenda está em vias de perder seis desses oito parlamentares pelo descolamento entre eles e a executiva nacional. Enquanto a direção partidária se coloca em oposição ao presidente Jair Bolsonaro e defende seu impeachment, os deputados votam sistematicamente com o governo, embora não se reconheçam como bolsonaristas. Mas essa situação não é exclusiva do partido cor de laranja. Após os atos de tom golpista em 7 de setembro, o presidente do PSDB, Bruno Araújo, convocou a executiva nacional para que o partido se declarasse em oposição e apoiasse o impeachment. A medida desagradou uma parcela expressiva da bancada ... (Leia mais)

18 de Setembro de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: De que Estado precisamos?

A partir de 2023, se tudo ocorrer como as pesquisas indicam, o Brasil terá um novo governo e uma Democracia por recuperar. É inevitável que um diálogo seja aberto de uma ponta à outra no arco político, e para isso é necessário mapear o que há de comum — e onde há discussão — a respeito das ideias de país. Foi com este objetivo, ao longo desta última semana, que o grupo apartidário Derrubando Muros promoveu seis painéis com um título provocador. De que Estado precisamos? Para eles foram convocados economistas, advogados, cientistas políticos. Vozes que representam uma possível candidatura liberal, mas também as candidaturas postas de Ciro Gomes (PDT) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Há alguns consensos entre todos. Mas há também debates importantes. O Meio transmitiu pelo YouTube cada um destes painéis, que podem ser assistidos individualmente. Nesta edição de Sábado publicamos não propriamente um resumo, ... (Leia mais)

11 de Setembro de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Bolsonaro e os futuros possíveis

Se há um tabuleiro confuso, no momento, é o da política brasileira. A turbulência que se abateu no país esta semana deixou o jogo desorganizado e incerto. Mas, se deixou dúvidas, trouxe também algumas respostas a muitas angústias que pairavam. No Sete de Setembro, após mais de um mês de preparação, o presidente Jair Bolsonaro conseguiu levar uma multidão à Avenida Paulista. Foi menos gente do que ele esperava — mas foi mais gente do que em qualquer mobilização anti-Bolsonaro até este momento. Enquanto esquerda e direita seguirem separadas, dificilmente virá das ruas pressão suficiente para produzir um impeachment. (Esta divisão não é acidental. Mais à frente.) Bolsonaro tentou mobilizar dois grupos em particular que seriam importantes para seus planos. Um deles foi o dos policiais militares. Outro, os caminhoneiros. Na noite de segunda-feira, parecia que ele fracassaria com caminhoneiros e teria sucesso com PMs. Foi o contrário. O esforço ... (Leia mais)

4 de Setembro de 2021 | PREMIUM

Edicão de sábado: 04 de Setembro

A história do século 20, em boa parte do mundo, é uma na qual a agropecuária vai lentamente perdendo importância na economia dos países. Não foi diferente com o Brasil — até que mudou, em 1993. Em 1992, ano em que Fernando Collor deixou a presidência, a agropecuária não chegava a 6% de toda riqueza produzida no país. Dez anos depois já havia quase dobrado. Quando Fernando Henrique subiu a rampa do Planalto pela primeira vez, em 1994, o agro não gerava R$ 40 bilhões por ano, inflação corrigida. Em 2019, segundo números do Cepea, produziu R$ 322 bilhões. Por todo o governo Jair Bolsonaro, constantemente o agro aparece como um setor de apoio ao presidente. Um ambiente no qual, caricaturalmente, os ímpetos autoritários e a aversão à ciência parecem ser dominantes. Sua explosão como negócio, porém, é justamente um dos marcos de sucesso da República democrática nascida dos frangalhos ... (Leia mais)

28 de Agosto de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Um integralista não corre, voa

O domingo, 7 de outubro, em 1934, amanheceu com um céu azul de primavera em São Paulo. Nas semanas anteriores, panfletos diversos circularam pela capital convocando sindicalistas, anarquistas, socialistas, comunistas, gente que se identificasse como de esquerda num geral para ocupar a Praça da Sé. “As organizações convidam toda a população a responderem com uma potente manifestação antifascista”, dizia um. “Ao proletariado e a todo o povo oprimido”, começava outro. Mas, com temor do embate que poderia se dar, o governo paulista negou à esquerda licença para se manifestar naquele dia. Porque o movimento não surgiu do nada — para aquele dia 7 estava sendo convocada, também, outra passeata. Ou, melhor: uma marcha. Igualmente, na Praça da Sé. A Ação Integralista Brasileira, movimento fascista liderado pelo escritor Plínio Salgado, queria dar uma demonstração de força. Queria mostrar ao Brasil o tamanho da AIB. E pessoas já vinham chegando de trem ... (Leia mais)

21 de Agosto de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Afeganistão, cemitério de impérios

No ano de 1901, explodiu como best-seller nas livrarias londrinas Kim, um pequeno romance adolescente de Rudyard Kipling. A rainha Vitória havia morrido fazia meses, o Império Britânico estava próximo do fim, mas isso ainda não era óbvio. Como Mowgli, o menino lobo, seu personagem anterior de sucesso equivalente, Kipling fez de Kim um rapaz esperto e atento, capaz de livrar-se de toda sorte de desventuras, mas fundamentalmente preso entre dois mundos. Não era, porém, entre o mundo animal e o humano. Desta vez, era entre Oriente e Ocidente. Menino órfão e muito pobre zanzando pelas ruas de Lahore, no atual Paquistão, Kim era filho de pai irlandês e mãe inglesa, mas tão queimado de Sol e falava a língua local com tanta fluência que ninguém o percebia como branco. Parecia mais um dos patanes, uma das etnias comuns à região, e esta sua ambiguidade étnica logo se mostraria útil ... (Leia mais)

14 de Agosto de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: Seis golpes militares e um que fracassou

De tempos em tempos, fechados em seus gabinetes, generais do Exército concluem que têm o direito de decidir quem governará o Brasil. De 1889 para cá, aconteceu mais de uma dezena de vezes. Em seis delas, os oficiais tiveram sucesso. Esta é a história de cada um destes seis golpes de Estado. E de um que fracassou. 1889 O marechal Deodoro da Fonseca estava doente, tomado por uma crise asmática, na manhã de 15 de novembro, em 1889. Ainda assim sua casa foi tomada por militantes republicanos que o puseram num coche. Deodoro, de mau humor. Ao chegar ao Campo de Santana, onde trabalhava o primeiro-ministro, visconde do Ouro Preto, Deodoro deixou a carruagem, montou a cavalo, entrou no palácio, derrubou o premiê dizendo poucas palavras e voltou para casa onde se trancou sem querer receber mais ninguém. Em momento algum deixou claro se havia derrubado só o gabinete ou ... (Leia mais)

7 de Agosto de 2021 | PREMIUM

Edição de sábado: As eleições numa encruzilhada

As autobahnen alemãs estão entre as rodovias mais modernas e seguras do mundo, daquelas para você voar baixo num carro elétrico de última geração e chegar logo ao seu destino. Agora imagine percorrê-la num calhambeque detonado, com os freios sabotados e o tanque cheio de etanol batizado de um posto sem bandeira? Por mais doida que a analogia pareça, é mais ou menos o que parte do Congresso pretende fazer com o sistema eleitoral brasileiro. Usamos há um quarto de século um mecanismo de votação eletrônico altamente confiável e em constante aprimoramento, mas tramitam na Câmara e no Senado projetos de reforma eleitoral com potencial de promover retrocessos em diversas conquistas recentes de nossa democracia. Embora não conste do texto atual da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da reforma política na Câmara, partidos articulam emendas que flexibilizam ou eliminam a cláusula de barreira e o fim das coligações proporcionais, enquanto ... (Leia mais)

31 de Julho de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: A Era do Burnout

Não é difícil definir burnout. O psicanalista britânico Josh Cohen, colaborador da 1843, revista irmã da Economist, descreveu a síndrome a partir de um caso que atendeu. “Notas excelentes desde a infância, capitão do time de beisebol, bolsa de estudos nas melhores universidades”, assim havia sido Steve, executivo americano em um banco multinacional, alocado em Paris. “Trabalhou na aquisição de companhias com a mesma maestria que demonstrou em suas conquistas acadêmicas e esportivas, até perceber que estava perdendo a concentração no trabalho, movido por um desejo intenso de ir para casa e dormir. Um dia, quando seu despertador tocou às 5h30, ao invés de se levantar, desligou o alarme e lá ficou. Olhando para a parede. Certo apenas de que não iria para o escritório. Após seis horas oscilando entre o sono sem sonhos e um acordar em branco, botou a roupa de ginástica, foi até a loja de conveniências ... (Leia mais)

24 de Julho de 2021 | PREMIUM

Edição de Sábado: E a Direita da Ditadura Renasceu

Quem olha para a bagunça em que se tornou o sistema partidário brasileiro, tão fragmentado que chega a parecer não ter lógica, muitas vezes se perde. Termos que se tornaram recorrentes — como Centrão — atrapalham ainda mais a compreensão do jogo político em curso. O nome atrapalha porque, no atual acordo entre o Centrão e o governo de Jair Bolsonaro, há um processo em curso que é diferente do que ocorreu nos governos Fernando Henrique, Lula, Dilma ou mesmo Temer. Está em curso a reestruturação da Velha Direita. Da aliança política que sustentou a Ditadura Militar. E um pouco de história ajuda a revelar este processo. Logo após tomarem o poder a força, em 1964, os militares se puseram a baixar uma sequência de leis, que batizaram atos institucionais, e que em essência estavam acima da Constituição. O primeiro serviu para instaurar o novo governo — que muitos ainda ... (Leia mais)

17 de Julho de 2021 | PREMIUM

Edicão de sábado: Cuba por conta própria

Uma parceria inusitada, a Covid-19 e a internet, conseguiu o que parecia impossível: levar cubanos em grande número às ruas para protestar contra o regime. Fidel tiraria isso de letra. Repressão, um longo discurso evocando o espírito revolucionário do povo cubano e ressaltando as reais conquistas sociais do regime, e tudo bem. Mas Fidel pertence à História. Em seu lugar está Miguel Díaz-Canel, um burocrata com o carisma de um cone de trânsito. Será ele capaz de manter vivo um sistema que muitos juravam morto há trinta anos? Para quem é novo ou tem pouca memória, em 1991, após uma fracassada tentativa de golpe por parte da ala conservadora do Partido Comunista, a União Soviética foi dissolvida, substituída inicialmente pela Federação Russa, mas já sem o domínio do PC. Com ela, foi-se o Comecon, o Conselho para Assistência Econômica Mútua, uma estrutura pela qual a URSS apoiava economias de países ... (Leia mais)